Fardo da dívida vai cair, mas juros colhem 8% da despesa

Com o PIB a crescer e a dívida em queda, a fatura com os juros vai baixar. A descida das taxas no mercado, mas também a poupança com os reembolsos ao FMI, permitem reduzir os encargos.

Portugal vai continuar a crescer. Menos, mas vai. E a dívida está a cair. A previsão do Governo é de que recue para 123,5% do PIB, uma queda que se vai refletir positivamente nos encargos com os juros. Num contexto de redução das taxas de mercado, mas também de uma fatura menos pesada com os juros fruto dos reembolsos ao FMI, o fardo encolhe, mas ainda colhe 8% da despesa total do Estado.

“O comportamento da despesa em 2018 prevê-se que seja influenciado pela diminuição do valor dos encargos com juros em percentagem do PIB (-0,4 p.p.), em linha com a trajetória descendente dos últimos anos”, refere o relatório da proposta de Orçamento do Estado para 2018. Ainda assim, os juros da dívida vão pesar 8% da despesa pública em 2018. São 7.126 milhões de euros.

O Governo prevê uma poupança com os juros na ordem dos 307 milhões de euros em 2018. “A poupança prevista nos encargos com juros em 2017 e em 2018 tem em consideração a revisão das amortizações do empréstimo do FMI que resultaram da antecipação dos reembolsos efetuados em 2017 e são adicionais face ao cenário considerado no Programa de Estabilidade de 2017″, refere. O Governo quer amortizar mais de oito mil milhões este ano e 1,4 mil milhões em 2018.

Mas não é só o reembolso antecipado dos empréstimos ao FMI, com taxas altas, que explicam a poupança. A queda das taxas de mercado também, especialmente agora que Portugal saiu de “lixo” na Standard & Poor’s, facto que levou a uma redução do diferencial de juros entre Portugal e a Alemanha.

“A saída do Procedimento por Défices Excessivos melhorou de forma inequívoca a imagem de Portugal no contexto europeu e internacional. É disso exemplo a recente melhoria do rating da República Portuguesa atribuído por uma das principais agências de notação financeira, que recolocou a notação de risco de Portugal em nível de investimento”, nota o Executivo.

“As perspetivas para a evolução dos juros da dívida portuguesa, e das empresas nacionais, são agora mais positivas, destacando-se a recente evolução positiva das yields das obrigações portuguesas e do estreitamento dos spreads face aos pares”, acrescenta o relatório. “Tal dará azo a poupanças significativas em juros no curto prazo e, principalmente, no futuro”, remata. A taxa a dez anos está, atualmente, a 2,333%. O diferencial face à Alemanha está em 190 pontos base.

Isto acontece num contexto em que o Governo está reduzir a dívida. “Realce-se que o peso dos juros da dívida pública no PIB em 2017 e 2018 (3,9% e 3,6%, respetivamente) mantém a trajetória descendente, reflexo da evolução positiva da confiança dos investidores no desempenho da economia portuguesa e no processo de consolidação orçamental”, nota o documento que prevê que o défice caia para 1% do PIB em 2018.

“No final de 2017 o rácio da dívida pública em percentagem do PIB deverá situar-se em 126,2%, o que corresponde a uma diminuição de 3,9 p.p. do PIB face ao final de 2016 – a maior redução em 19 anos. Para 2018, em linha com o ano precedente, projeta-se uma redução da dívida pública em 2,8 p.p. do PIB, atingindo 123,5% do PIB“, conclui.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Fardo da dívida vai cair, mas juros colhem 8% da despesa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião