Tensão política ameaça rating da Catalunha, alerta a S&P

  • Lusa
  • 17 Outubro 2017

A agência de notação financeira alerta que a região poderá ver penalizada a sua avaliação caso avance para a independência. Afasta um cenário de corte do rating de Espanha.

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) diz que a tensão na Catalunha pode descer o rating da região, mas não o de Espanha, e que a independência, mesmo que declarada, não deverá ser consumada.

“Não acreditamos que a independência da Catalunha vá ocorrer, apesar das declarações do Governo da Catalunha na terça-feira passada, que implicavam uma declaração unilateral de independência, que foi suspensa imediatamente a seguir”, escrevem os analistas do crédito soberano da S&P num comentário sobre este acontecimento.

Sobre a dúbia declaração do presidente da região autónoma da Catalunha, a S&P salienta que “em qualquer caso, a independência é definida não apenas pela maneira como um território se vê a si próprio, mas também pela maneira como é visto pelos outros” e aponta que “uma Catalunha soberana não seria reconhecida por um número significativo de governos nacionais, e certamente não pelos Estados-membros da União Europeia”.

Sobre a avaliação da qualidade do crédito soberano da região e do país, a S&P afirma: “Apesar de a recente escalada de tensões entre o Governo e a região poder levar a um impasse constitucional, não esperamos que a situação vá, por si própria, levar a uma descida dos ‘ratings’, com a exceção da Catalunha, cuja notação de B+ foi colocada em revisão negativa a 4 de outubro”.

Sobre Espanha, a agência de notação financeira diz que “a Perspetiva de Evolução [‘Outlook’] continua positiva, refletindo a expectativa de que os fundamentos da economia de Espanha continuem a fortalecer-se”.

O Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de 3,1% para este ano, praticamente em linha com os 3,2% que a Espanha cresceu no ano passado, mas deverá abrandar para 2% até final da década.

O perigo, do ponto de vista dos credores e investidores, é que “um período mais extenso de tensões políticas exacerbadas pode deprimir a confiança dos empresários e consumidores, causando um forte abrandamento na Catalunha e, potencialmente, perturbando os negócios em Espanha”.

O processo independentista da Catalunha entrou num novo momento crítico na sequência da realização, a 01 de outubro, de um referendo pela soberania na região, considerado ilegal pela justiça espanhola. Na consulta – organizada pelo governo regional e dirigido apenas aos catalães, o que contraria a Constituição – o “sim” ganhou com 90% dos votos, mas os resultados não foram certificados por entidades independentes.

A votação ficou marcada por cargas policiais da Guardia Civil e da Polícia Nacional espanhola, que visavam impedir o referendo, uma vez que a grande maioria dos agentes da polícia regional catalã, os Mossos d’Esquadra, não cumpriu uma ordem nesse sentido do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha.

Foram apresentadas várias queixas contra os Mossos d’Esquadra, considerando que a polícia regional agiu como “polícia política” a mando da Generalitat (governo regional), que defendia não só a realização do referendo ilegal como a resposta “sim” no mesmo.

Na sequência da votação, o presidente do governo regional fez uma declaração no parlamento local, que muitos entenderam como uma declaração de independência suspensa logo de seguida, à espera de negociações com Madrid.

O Governo espanhol respondeu pedindo esclarecimentos sobre se realmente foi declarada a independência, e estendeu o prazo até quinta-feira para Charles Puigdemont esclarecer se declarou ou não a independência da região.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Tensão política ameaça rating da Catalunha, alerta a S&P

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião