Moody’s: PIB cresce, mas malparado continua a ser uma ameaça para a banca nacional

A agência de notação financeira manteve a perspetiva para os ratings da banca nacional em "estável", ao contrário do que acontece para o país. A explicação está na fraca qualidade dos ativos.

A Moody’s continua a considerar que Portugal é “lixo”, mas reviu a perspetiva da notação financeira para “positiva”. Melhorou-a para o país, mas não para a banca que continua a ser de “estável”. Isto porque apesar do crescimento da economia portuguesa, a qualidade dos ativos do setor financeiro continua a ser fraca. O malparado pesa na banca.

A perspetiva estável para o sistema bancário português reflete a nossa visão de que apesar do crescimento económico sustentado poder levar a um ligeiro alívio no malparado, o stock de créditos em incumprimento continuará elevado”, diz Maria Vinuela, vice-presidente assistente da Moody’s, numa nota publicada esta quinta-feira.

Como já tinha salientando em setembro, a agência de notação financeira prevê que o contexto em que os bancos nacional operam seja mais positivo tendo em conta a perspetiva de que aumente o investimento em Portugal, as exportações puxem pelo PIB, isto num período em que a taxa de desemprego continua a cair.

Apesar disso, e mesmo tendo em conta que a Moody’s acredita num alívio do problema do malparado, o “fardo” continuará elevado no contexto europeu. “No final de junho, o rácio de crédito malparado da banca portuguesa, definido pela EBA, era de 17,5%, abaixo dos 20,1% um ano antes, mas bem acima da média da União Europeia (UE), de 4,5%”, nota a Moody’s.

Ao mesmo tempo que o malparado é elevado, os rácios de capital da banca portuguesa (11,5%, em média, no final de junho) continuarão aquém da média da UE (de 14%), “condicionados pela fraca geração de capital interna e a elevada dependência de ativos por imposto diferidos”, salienta a agência que considera positiva a evolução da posição de liquidez do setor.

“Os bancos portugueses melhoraram a sua posição de liquidez nos últimos anos fruto da desalavancagem realizada, de uma base de depósitos resiliente e da fraca procura por crédito. A Moody’s prevê uma recuperação no novo crédito em 2018, mas também que a desalavancagem feita melhore ainda mais a capacidade de financiamento dos bancos”.

Por último, no que toca à rentabilidade, a Moody’s diz que se manterá “estável”. “Apesar do custo do risco da banca recuar com as condições macroeconómicas mais favoráveis a reduzirem o risco de crescimento do crédito em incumprimento, este será largamente anulado pelas receitas mais fracas fruto das taxas de juro baixas”.

(Notícia atualizada às 9h15 com mais informação)

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