Todos foram ouvidos, garante ex-comandante da ANPC sobre Pedrógão Grande

  • ECO
  • 27 Outubro 2017

Proteção Civil diz que ninguém do topo foi ouvido pelos peritos da Comissão Independente sobre o incêndio de Pedrógão Grande. José Manuel Moura nega e confirma que Rui Esteves foi questionado.

As críticas da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) ao relatório elaborado pela Comissão Técnica Independente (CTI) sobre o incêndio de Pedrógão Grande não caíram em saco roto. José Manuel Moura, antigo comandante da primeira e membro da segunda, considera “estranha” a acusação de que ninguém do topo da ANPC foi ouvido pelos peritos e garante, em entrevista ao jornal Expresso (acesso pago) a publicar na íntegra no sábado, que o presidente dessa entidade se fez acompanhar pelo então comandante nacional, Rui Esteves, e por dois adjuntos nacionais, aquando da sua própria audição.

Segundo avança o Expresso, as observações feitas no relatório aos erros cometidos no combate operacional nos fogos de Pedrógão Grande levaram a equipa de Rui Esteves a reagir, lamentando não ter sido ouvida pela comissão responsável. Moura — que, em janeiro, tinha sido substituído por Esteves, no comando da Proteção Civil — desmente essa omissão. “O presidente da CTI, João Guerreiro e outro perito, Francisco Castro Rego, ouviram-nos na Assembleia da República”, explica José Manuel Moura.

Esta troca de acusações reflete o mau estar que o relatório sobre o incêndio de Pedrógão Grande tem provocado. No documento em que reage às críticas, a ANPC chegou mesmo a assinalar que o relatório da CTI tem partes que têm “o propósito claro de levar o leitor, cidadão comum, desconhecedor dos meandros da resposta operacional, a formular o juízo de que houve inépcia e inoperância do Comando Nacional de Operações de Socorro”. Em declarações à agência Lusa, o presidente da Comissão Independente já corroborara as afirmações de Moura, garantindo que foram ouvidos os cargos de topo da Proteção Civil, incluindo Rui Esteves (então comandante nacional da ANPC).

Relembre-se que, no início de setembro, Rui Esteves se demitiu, na sequência da revelação de que fez a licenciatura quase toda por equivalências. Moura esteve ligado à Proteção Civil durante 40 anos, da qual foi comandante nacional entre 2012 e janeiro de 2017.

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