Portugal vive “duas realidades muito distintas”, diz a Bloomberg

  • ECO
  • 3 Novembro 2017

Para a agência Bloomberg, Portugal encara "duas realidades" muito diferentes: de um lado, o cenário e os mortos deixados pelos incêndios. Do outro, o clima de euforia do Web Summit.

Segundo a Bloomberg, Portugal enfrenta duas realidades diferentes: a destruição deixada pelos fogos e a euforia do Web Summit

Portugal prepara-se para acolher o Web Summit, a grande conferência de tecnologia que está a gerar entusiasmo e alvoroço nas empresas. No entanto, o clima contrasta com as mais de cem mortes em quatro meses provocadas pelos graves incêndios florestais deste verão, que têm estado no centro da agenda política nos últimos tempos. É por isto que Portugal está a viver em “duas realidades muito diferentes”, aponta a Bloomberg numa análise publicada esta sexta-feira [acesso condicionado].

“O primeiro-ministro português, António Costa, lidera um país que encara duas realidades muito distintas”, começa por escrever a agência. De um lado, o Web Summit em Lisboa, “uma cidade em crescimento que atrai milhares de turistas e um crescente número de investidores franceses e chineses em imobiliário”. Do outro, os últimos incêndios florestais que mataram 45 pessoas a 15 de outubro.

“As discussões sobre tecnologia vão contrastar fortemente com o foco de António Costa nas últimas semanas: incêndios florestais que deixaram mais de 100 mortos num período de quatro meses, com as televisões a mostrarem imagens de famílias desesperadas com mangueiras nos quintais a tentarem salvar as suas habitações”, acrescenta a Bloomberg.

O primeiro-ministro português, António Costa, lidera um país que encara duas realidades muito distintas.

Bloomberg

A agência recorda ainda as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, proferidas numa visita a Pampilhosa da Serra, uma das regiões mais afetadas pelos fogos deste verão: “Parte do país, nomeadamente as zonas metropolitanas, o chamado Portugal do litoral, que podia ainda não ter acordado para esta realidade [dos incêndios], está agora ciente dela. É essencial olhar para esta realidade para que não haja vários países a várias velocidades.”

O artigo termina com referências à situação política do país, nomeadamente o apoio dos partidos de esquerda ao executivo socialista e a rejeição da moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS-PP. Indica ainda que Lisboa é o maior distrito de Portugal e que elege 47 dos 230 deputados da Assembleia da República — em conjunto com Porto, Braga e Setúbal, os quatro distritos arrebatam mais de metade dos assentos no Parlamento, sublinha.

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