Bancos europeus contratam rivais norte-americanos com salários 30% superiores

Após anos de cortes salariais devido à crise financeira de 2008, os bancos europeus tentam recuperar e vão aos bancos dos EUA recrutar especialistas. Dão salários 30% mais altos.

Já lá vão nove anos desde a crise financeira, altura em que os bancos a nível mundial se viram obrigados a cortar nas despesas. Houve despedimentos e reduções salariais. Hoje, anos depois, os bancos europeus estão a recuperar e viajam para os Estados Unidos para recrutar especialistas da banca de investimentos com ofertas atrativas.

Foi em 2008 que a falência do banco norte-americano Lehman Brothers levou a uma crise financeira mundial, arrastando consigo outras grandes instituições financeiras. Este crash financeiro obrigou a banca a apertar o cinto, cortando no número de traders e nos salários daqueles que conseguiram escapar aos despedimentos.

Com a pressão exercida pelos bancos norte-americanos com estas reduções, os europeus e os asiáticos seguiram o exemplo. “Os europeus perceberam que, enquanto eles estavam a reduzir os custos, perderam negócios para os bancos dos EUA e agora estão a tentar recuperar“, disse Jason Kennedy, CEO da Kennedy Group em Londres.

Após esta tentativa de catch-up, os bancos, incluindo o Barclays e o Deutsche Bank, estão a tentar recuperar esse poder de negociação e estão a trazer dos seus rivais norte-americanos vários especialistas. Para aqueles funcionários que não viram aumentos salariais durante vários anos, chegou a hora da mudança.

Os bancos europeus estão a oferecer salários 30% superiores aos oferecidos pelos bancos dos Estados Unidos e ainda bónus garantidos em alguns casos, de acordo com Mike Karp, diretor executivo da Options Group, uma empresa recrutadora. E não foi por falta de aviso. Em março deste ano, o CEO do Deutsche Bank, John Cryan, disse que pretendia voltar ao “crescimento controlado”, assim como o banco suíço Credit Suisse Group também afirmou que estava a procurar crescer em áreas que ofereciam altos retornos.

22,3 mil milhões de dólares só para… bónus salariais

O Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley reservaram 22,3 mil milhões de dólares (19,2 mil milhões de euros) para bónus salariais nos primeiros nove meses deste ano, quase 3% a mais face ao período homólogo do ano anterior. Mas muito menos do que o que estão a oferecer os bancos europeus, o que vai trazer consequências para os bancos norte-americanos que começam a perder cada vez mais especialistas da banca.

Jes Staley, presidente do Barclays, assumiu o cargo em dezembro de 2015 e, imediatamente, implementou o fim das contratações, ao mesmo tempo que despediu milhares de funcionários. No entanto, após “ativar” novamente o modo de expansão bancária, o antigo funcionário da JPMorgan trouxe para o Barclays Tim Throsby, diretor de ações da JP Morgan, para liderar a unidade de banca de investimento.

Este ano, Tim Throsby contratou Guy Saidenberg, ex-colega da Goldman Sachs, para chefe de vendas e Filippo Zorzoli, do Bank of America, para responsável para a Europa, Médio Oriente, África e Ásia. A estes nomes juntaram-se outros: Gary Rapp, da Goldman Sachs, passou para o UBS Group e Dylan Blair, da Morgan Stanley, passou para o BNP Paribas.

No entanto, até ao momento, os grandes bancos de investimento norte-americanos ainda não se mostraram preocupados com este conjunto de contratações agressivas na Europa. De acordo com Jason Kennedy, “se o mercado [norte-americano] realmente for apanhado, os americanos vão ativar um grande esquema de contratação, mas penso que, neste momento, estão apenas a deixá-los jogar“.

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