Renzi alerta BCE para “crise do crédito”… 140 caracteres de cada vez

  • ECO
  • 6 Outubro 2017

A plataforma Twitter foi a escolhida pelo antigo primeiro-ministro italiano para expressar as suas preocupações relativamente às novas medidas do crédito malparado, anunciadas pelo BCE esta semana.

Um par de tweets na passada quinta-feira foi o suficiente para Matteo Renzi mostrar a sua posição relativamente às novas intenções do Banco Central Europeu no que toca ao crédito malparado. Embora não refira especificamente o BCE, o antigo primeiro-ministro italiano faz uma alusão à proposta apresentada na passada quarta-feira pela instituição financeira, alertando para uma “crise do crédito” caso se avance com a cobertura de 100% dos empréstimos em incumprimento, avança o Financial Times (acesso pago/conteúdo em inglês).

No primeiro tweet, Renzi critica “alguns dirigentes europeus do setor bancário” por terem ignorado “que o seu dever é EVITAR uma crise do crédito, não CRIÁ-LA”. Uma hora mais tarde, o diplomata italiano disse que a medida em discussão impossibilitará o acesso ao crédito por pequenas empresas. “Estamos a cometer os mesmos erros de 2013”, conclui.

Na passada quarta-feira, o BCE apresentou as suas intenções para os bancos europeus deixarem de lado o total de 100% do crédito malparado num prazo máximo de dois anos. Os bancos italianos são dos mais afetados pela acumulação de crédito em incumprimento. A medida estará em discussão até 8 de dezembro e é pretendido que entre em vigor a partir de janeiro de 2018.

Embora a medida pretenda aliviar os bancos da acumulação de crédito mal parado, as instituições bancárias italianas têm visto as suas ações a cair 2,7% ao longo desta semana. Em causa está a preocupação que a medida do BCE falhe e assim recaia sobre a confiança no setor bancário e na recuperação económica.

Um oficial anónimo do Banco de Itália refere ao Financial Times que em Roma se espera que o banco central aplique uma versão mais leve da medida. O mesmo sublinha que o BCE deve refletir sobre o atraso na recuperação da economia italiana, em comparação com a restante zona euro, bem como a maior lentidão na gestão do malparado no país.

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