Maria Luís Albuquerque: Não há margem para descer IRC? “Fiquei chocada”

  • ECO
  • 9 Novembro 2017

A ex-ministra das Finanças acusa o Governo de desonestidade quando diz que não havia espaço para baixar a carga fiscal das empresas.

Maria Luís Albuquerque revela que ficou “chocada” com as declarações do ministro da Economia quando este disse que não havia espaço para descer os impostos às empresas. Em entrevista ao Público/Renascença, a ex-ministra das Finanças defende que a resposta mais honesta seria dizer que o Governo decidiu tomar opções diferentes. A deputada social-democrata garante que, se o PSD estivesse a governar, o país a “combinação” de políticas seria “diferente”.

“Eu fiquei muito chocada quando ouvi o ministro da Economia dizer que não havia espaço para baixar impostos às empresas”, afirma Maria Luís Albuquerque, criticando o Executivo por não dar informação “honesta”. Em causa está uma declaração de Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, em entrevista ao Jornal de Negócios/Antena 1: “A descida de impostos [às empresas] é talvez a coisa que nós não podemos dar”. A deputada do PSD argumenta que o Governo fez opções numa altura onde há “muitos mais graus de liberdade”, o que não foi possível fazer durante a legislatura anterior.

Caso o PSD estivesse no Governo, a ex-ministra das Finanças adianta que teria “escolhas francamente diferentes”. A prioridade seria reduzir a dívida, “não só em percentagem do PIB como em valor”, assim como atingir um “défice zero ou excedente”. A deputada social-democrata recordou “sinais” dados com a redução do IRC que, se fossem continuados, dariam ao país um “desempenho muito mais favorável de investimento”.

As críticas ao Governo não se esgotam apenas nas escolhas perante as empresas. Maria Luís Albuquerque recorre às conclusões do Conselho das Finanças Públicas sobre o OE2018, divulgadas esta terça-feira, para alertar que “o cumprimento das metas é muito mais aparente do que substancial”. Na opinião da ex-ministra das Finanças, a consolidação pode vir a ser frágil quando houver um “sobressalto” e Portugal volte a ter problemas.

Na mesma entrevista, Maria Luís Albuquerque admitiu que teve “pena” da decisão de Pedro Passos Coelho de não se recandidatar à liderança do PSD. Quanto ao futuro, defende que a matriz do partido deverá continuar, mas afirma que não decidiu se vota em Rio ou Santana Lopes — os dois candidatos já na corrida.

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