Zona Euro acelera para o ritmo mais rápido da década

  • Margarida Peixoto
  • 9 Novembro 2017

A Zona Euro deverá crescer 2,2% este ano, o ritmo mais rápido da década. Contudo, nos próximos dois anos o crescimento vai abrandar. "A retoma não está completa", avisou Moscovici.

A Zona Euro deverá crescer este ano ao ritmo mais elevado da década. A Comissão Europeia antecipa um crescimento de 2,2% do PIB para os países da moeda única este ano, um valor bem acima do que se esperava na primavera (1,7%). A última vez que os países da moeda única superaram este crescimento foi em 2007.

“Entrámos incontestavelmente numa nova fase da retoma. A retoma tem sido moderada e por isso ainda não tinha sido sentida. Mas vamos para um número superior”, disse Pierre Moscovici, comissário para os Assuntos Económicos e Financeiros, na conferência de imprensa de apresentação das Previsões Económicas de Outono, em Bruxelas.

Como tem crescido a zona euro?

Valores para 2017, 2018 e 2019 são projeções. Fonte: Comissão Europeia

Para Portugal, a Comissão antecipa um crescimento forte em 2017 (2,6%), seguido de um abrandamento para 2,1% em 2018 e 1,8% em 2019. O ECO tratou as projeções para Portugal aqui.

Já sobre a Zona Euro, o responsável sublinhou que o crescimento dura há “18 trimestres consecutivos” e que os riscos estão neutrais, em vez de serem descendentes. O desemprego continua a baixar, devendo atingir os 9,1% em 2017, o valor mais baixo desde 2009. O próximo gráfico mostra as previsões de crescimento para o período de 2017 a 2019, para algumas economias selecionadas. Pode escolher na legenda apenas os países cujo crescimento quer comparar.

Quais são as perspetivas até 2019?

Fonte: Comissão Europeia

Ainda assim, e apesar do otimismo, a Comissão nota que o caminho de recuperação “ainda não está completo”. Desde logo, o ritmo de crescimento não vai acelerar nos próximos dois anos. Para 2018, a expectativa é de um crescimento de 2,1%, abrandando depois para 1,9% em 2019.

Além disso, há um conjunto de desafios por resolver, nomeadamente a forma como este crescimento é sentido pelos cidadãos europeus. Moscovici reconheceu que os salários têm crescido pouco, o que reflete, em parte, o baixo crescimento da produtividade.

Frisou que “esta retoma é atípica porque continua a manter riscos nos planos orçamental e financeiro”, que vieram da crise. E que por isso será necessário “continuar a assegurar a convergência estrutural e a reforçar a área do euro para aumentar a capacidade de resistência a choques futuros”, frisou Moscovici.

Até porque a Zona Euro continua a beneficiar de um apoio significativo da política monetária do Banco Central Europeu, que começará agora a ser lentamente revertida. Mais: há o Brexit em curso — as previsões apresentadas pela Comissão para o Reino Unido foram puramente técnicas, assumindo o status quo e não refletindo o estado das negociações — a questão catalã e a recuperação da Grécia.

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