Bruxelas vê menos desemprego em Portugal que na Zona Euro em 2018. Não acontece há 12 anos

Desde 2005 que a taxa de desemprego em Portugal não é mais baixa que a da Zona Euro. A Comissão prevê que isso aconteça a partir do próximo ano. Já a economia vai crescer ao maior ritmo da década.

Bruxelas projeta que a taxa de desemprego de Portugal fique nos 8,3% no próximo ano, abaixo dos 8,5% projetados para a Zona Euro. Os dados do Eurostat mostram que o ano de 2005 foi a última vez que o desemprego nacional esteve abaixo do registado nos países da moeda única. A confirmar-se, Portugal conseguirá um melhor desempenho no mercado de trabalho, o que não acontecerá no caso do PIB e do défice, segundo as Previsões Económicas de Outono da Comissão divulgadas esta quinta-feira.

Evolução da taxa de desemprego em Portugal e na zona euro

Fonte: Eurostat e previsões da Comissão Europeia. Dados de 2017, 2018 e 2019 são projeções.

De ressalvar que esta é a taxa de desemprego anual. Podem existir trimestres ou meses específicos, após 2005, onde a taxa de desemprego de Portugal já foi menor do que a registada na Zona Euro.

Com estas previsões, a Comissão Europeia mostra que está mais otimista quanto à evolução do mercado de trabalho do que o Governo. Na proposta do Orçamento do Estado para 2018, revelada em outubro, o Executivo estimava que a taxa de desemprego em 2018 ficasse nos 8,6% e em 2019 nos 8,5% — ambas as previsões ficam acima dos 8,3% e 7,6% esperados por Bruxelas, respetivamente.

No relatório dedicado a Portugal, divulgado esta quinta-feira, a Comissão Europeia faz questão de realçar que a criação de emprego em Portugal registou um ritmo superior ao do crescimento do PIB no primeiro semestre. A contribuir para essa recuperação acelerada está principalmente o setor do serviços relacionados com o turismo e a construção. No entanto, para os próximos anos, Bruxelas vê a criação de emprego a abrandar: depois de um crescimento de 2,9% em 2017, a Comissão vê o emprego a subir 1,2% em 2018 e 0,9% em 2019.

Contudo, a Comissão alerta que a valorização dos salários continua fraca, principalmente porque a criação de emprego verificou-se essencialmente em setores com um perfil de baixas qualificações e salários abaixo do média.

Este desempenho de Portugal acima da média da Zona Euro não se verifica noutros indicadores. No caso do défice, Portugal continuará aquém das finanças públicas dos países da moeda única, dado que vários têm já excedentes orçamentais. A média do saldo orçamental prevista para a Zona Euro é de -1,1% (2017), -0,9% (2018) e -0,8% (2019). Para o défice nacional, Bruxelas não está tão otimista como o Executivo: prevê um saldo orçamental de -1,4% (em 2017 e 2018) e de -1,2% (2019).

No caso do crescimento económico, Portugal terá uma subida do PIB superior em 2017 (2,6% face a 2,2% na Zona Euro). Mas esse vai ser um fenómeno pontual dado que, segundo as projeções, a economia portuguesa cresça o mesmo que a da moeda única em 2018: 2,1%. Já em 2019, Portugal deverá crescer 1,8%, abaixo dos 1,9% previstos para a Zona Euro.

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