Juros portugueses em novos mínimos. Taxa a dez anos abaixo dos 1,8%

As taxas de juro da dívida soberana nacional estão em queda ligeira, sendo que no prazo a dez anos bateram um novo mínimo de abril de 2015. Já está abaixo dos 1,8%.

Os juros da dívida soberana nacional mantêm a sua trajetória descendente nas principais maturidades, batendo novos mínimos. No prazo a dez anos, a yield nacional bateu um novo mínimo de mais de dois anos e meio. Pela primeira vez desde abril de 2015, a taxa de juro nessa maturidade caiu abaixo dos 1,8%.

A taxa a dez anos segue a aliviar mais de dois pontos base, para se situar nos 1,793%, sendo que já chegou a atingir o mínimo de 1,786%. O alívio dos juros também chega às restantes maturidades. Por exemplo, no prazo a cinco anos, a yield recua perto de três pontos base, para os 0,426%.A queda das taxas de juro da dívida nacional acontece num contexto de melhoria das perceção do risco por parte dos investidores, perante a melhoria da saúde económica do país.

Juros a Dez anos em novos mínimos

Fonte: Bloomberg

Este cenário tem justificado operações de troca de dívida por parte do Tesouro, que procura assim também conseguir juros mais baixos enquanto empurra para mais tarde o respetivo reembolso. Ainda esta quarta-feira, o IGCP levou a cabo mais uma operação de troca de dívida. A entidade liderada por Cristina Casalinho conseguiu recomprar 1.039 milhões de euros em obrigações do Tesouro que venciam daqui a dois e três anos, tendo oferecido em troca nova dívida a cinco e dez anos com maturidade em 2022 e 2027.

O alívio dos juros nacionais acontece ainda num período em que o Tesouro tem aproveitado para acelerar os pagamentos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Ainda na passada terça-feira, Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças, anunciou que Portugal planeia fazer mais um reembolso antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), desta vez de 500 milhões de euros.

Na próxima semana, Portugal volta a ser alvo do escrutínio das agências de rating. A 15 de dezembro, a Fitch irá pronunciar-se sobre Portugal, sendo esperado que possa retirar a dívida nacional da classificação de “lixo”, à semelhança do que aconteceu coma Standard & Poor’s em meados de setembro.

Ainda na passada quinta-feira, o Morgan Stanley emitiu uma nota em que recomenda os investidores a aumentarem a sua exposição à dívida portuguesa antes da decisão da Fitch, antecipando ainda a hipótese de a Moody’s dar um passo semelhante em janeiro do próximo ano.

(Notícia atualizada às 15h30 com mais informação)

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