Banco da Áustria alerta para os perigos da bitcoin

  • Lusa
  • 11 Dezembro 2017

O aviso surge no dia em que os futuros da criptomoeda começaram a ser negociados em Wall Street, estando já a disparar 25%.

O governador do Banco Central da Áustria disse esta segunda-feira que a bitcoin, cuja negociação arrancou no mercado de futuros, não é uma moeda, mas um produto para especuladores e aconselhou a ter cuidado com investimentos neste ativo.

Segundo Ewald Nowotny, que também integra o Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), o facto de o contratos futuros sobre a bitcoin terem começado a ser comercializados esta segunda-feira em Chicado, nos Estados Unidos, “não diz nada sobre o seu valor intrínseco” como moeda.

Para o responsável, a bitcoin é um produto “para especuladores, mas não é uma moeda”, e recordou que recentemente o BCE e outros bancos europeus fizeram avisos nesse sentido.

Nowotny considera que a dimensão atual desta criptomoeda é, contudo, relativamente pequena: cerca de 141 mil milhões de dólares (cerca de 119 mil milhões de euros), o que compara com os 1.100.000 milhões de euros atualmente em circulação.

Caso a dimensão aumente, considera o banqueiro, cabe à Comissão Europeia propor uma regulamentação.

Para o governador do Banco Central da Áustria, a bitcoin pode ser um desafio a nível jurídico, uma vez que pode ser usada para branquear dinheiro ou para transações ilegais, pelo que deveria ser-lhe aplicada a mesma norma da União Europeia sobre lavagem de dinheiro.

À hora de abertura do mercado de futuros nos Estados Unidos, o valor da bitcoin era pelas 12:50 (hora de Lisboa) de cerca de 16.500 dólares (cerca de 14 mil euros à taxa de câmbio atual), mais 10% do que o valor registado domingo, num fim-de-semana de bastantes oscilações do seu valor.

No início deste ano, a bitcoin valia 996 dólares (cerca de 846 dólares).

Depois de se ter estreado esta segunda-feira no mercado de futuros de Chicago (CBOE), é esperado que a bitcoin comece a operar na maior plataforma mundial de derivados em 18 de dezembro, a CME, também em Chicago, e para o ano está anunciada a sua entrada no mercado de futuros do Nasdaq.

Estas decisões significam o reconhecimento da bitcoin como ativo de valor pelos mercados financeiros e está na base da sua valorização, uma vez que a negociação nesses mercados aumenta o interesse de investidores particulares e empresas financeiras.

As operações de futuros de bitcoins, segundo especialistas, permitirão às empresas financeiras que operem com essa moeda virtual proteger-se de mudanças repentinas no preço.

Contudo, apesar de plataformas de mercados financeiros permitirem pela primeira vez que os investidores façam apostas de futuros sobre a bitcoin, as próprias bitcoins continuarão a ser negociadas apenas em trocas privadas, fora do alcance dos reguladores.

A moeda virtual tem fiéis seguidores, mas também os seus inimigos. Um deles é o presidente executivo do banco JP Morgan, Jamie Dimon, que a descreve como uma “fraude” e disse que em algum momento a bolha “estourará”.

Joseph Stiglitz, vencedor do prémio Nobel da Economia, considerou mesmo, em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg, que a bitcoin deveria ser “proibida”.

Em abril, o Japão converteu-se no primeiro país do mundo a reconhecer legalmente a bitcoin como forma de pagamento, o que leva o iene a ser a divisa nacional mais trocada pela moeda virtual a nível mundial.

A bitcoin, nascida em 2009 e criada por uma pessoa com nome fictício de Satoshi Nakamoto, é a moeda virtual mais popular do mundo. Baseia-se na tecnologia blockchain, que suporta o seu valor material na criptografia de dados informáticos. Tal como as restantes criptomoedas, não está vinculada a um banco ou governo, pelo que o seu valor depende sobretudo da procura, até porque a oferta é restrita.

A bitcoin permite registos anónimos dos utilizadores, o que leva a críticas de que serve apenas para facilitar o branqueamento de capitais e pagamentos ilícitos. Apesar do crescente interesse, ainda não é amplamente aceite nas lojas para comprar mercadorias e não pode depositada num banco. Um dos problemas em usá-la como uma moeda é o seu valor ser volátil, às vezes de forma súbita.

Já os apoiantes da bitcoin dizem que é um novo tipo de moeda que pode ser trocada de maneira privada e segura.

Na quinta-feira da semana passada, foi divulgado que desconhecidos roubaram mais de 4.700 bitcoins, equivalentes a cerca de 70 milhões de dólares (cerca de 59,2 milhões de euros, à taxa de câmbio atual), num ataque cibernético à empresa NiceHash, uma plataforma eletrónica eslovena especializada em criptomoedas.

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