Em cinco anos, Estado deu cinco milhões à Raríssimas

  • ECO
  • 13 Dezembro 2017

Aos 2,7 milhões de euros que recebeu da Segurança Social, Raríssimas somou, nos últimos cinco anos, 2,35 milhões de euros provenientes do Ministério da Saúde.

Afinal, a Raríssimas recebeu do Estado não 2,7 milhões de euros, mas cinco milhões de euros. Nos últimos cinco anos, aos quase três milhões de euros provenientes da Segurança Social, a associação liderada até terça-feira por Paula Brito e Costa somou 2,35 milhões euros concedidos pelo Ministério da Saúde. Deste último montante, 879 mil euros foram relativos à comparticipação estatal devida aos integrantes da Rede Nacional de Cuidados Integrados, da qual a Raríssimas faz parte por oferecer 39 camas de internamento.

Só em 2017, segundo adianta o Público, para os três tipo de cuidados continuados garantidos pela IPSS em causa, terá sido garantida uma verba de 959 mil euros pelo Ministério da Saúde (para suportar os encargos com dez lugares na unidade de longa duração, mais as 19 vagas na de média duração e ainda as camas da unidade de convalescença) e outra de 252,7 mil euros pela Segurança Social (para financiar os encargos com os doentes internados). De acordo com o avançado pelo Diário de Notícias, desde 2008, a organização acabou mesmo por arrecadar 3,36 milhões de euros disponibilizados pelo Ministério da Saúde.

Já para o próximo ano, a associação prevê um orçamento de quatro milhões de euros. A seguir-se a regra do último quinquénio (cinco milhões em cinco anos), um quarto desse valor tem, precisamente, origem estatal. Além disso, refere o Público, só em doações e heranças, a Raríssimas espera receber, em 2018, 1,2 milhões de euros. Entretanto, Paula Brito e Costa tinha também iniciado o processo de criação de uma fundação privada de utilidade pública e planeava criar um departamento jurídico em resposta à “complexidade” da organização.

Pós-investigação

A investigação jornalística da TVI revelou alegados desvios mensais dos fundos da Raríssimas para pagar despesas pessoais da ex-presidente da associação. Em causa estão compras de vestidos de alta-costura, despesas de supermercado e mapas de deslocações fictícias. Entretanto, o Ministério Público já adiantou que está a investigar as irregularidades denunciadas desde novembro.

As consequências desta polémica ultrapassam, no entanto, a investigação referida. Esta terça-feira, o caso fez Manuel Delgado cair do lugar de secretário de Estado da Saúde (cargo agora ocupado por Rosa Zorrinho), por ter sido confrontado com a possibilidade da sua relação com Paula Brito e Costa ser de foro pessoal e não apenas profissional. No mesmo dia, a Raríssimas perdeu, igualmente, a sua presidente, por considerar que a sua presença estava a afetar a instituição.

Além disso, neste momento, também o ministro da Segurança Social está sob fogo, com a entrega do Partido Socialista de um requerimento para chamar Vieira da Silva ao Parlamento.

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