Exportações a pesar 50% do PIB em 2020? Banco de Portugal não acredita

  • Tiago Varzim
  • 15 Dezembro 2017

O Governo tem como objetivo que as exportações tenham um peso de 50% no PIB até 2025. As novas projeções do Banco de Portugal para 2020 apontam para um valor inferior.

A projeção do Banco de Portugal para a evolução do peso das exportações no Produto Interno Bruto aponta para um valor inferior a 50% em 2020. O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, tinha fixado uma meta para o país: entre 2020 e 2025, as exportações têm de atingir um peso de metade do PIB. Contudo, o Boletim Económico de dezembro, publicado esta sexta-feira pela Banco de Portugal — pela primeira vez com projeções para 2020 –, não vê essa vontade tornar-se realidade, pelo menos logo em 2020.

Crescimento das exportações 2016-2020

Fonte: Banco de Portugal

Apesar de projetar uma variação anual das exportações superior a 4% até 2020, o Banco de Portugal não prevê que o peso das exportadoras portuguesas na economia atinja os 50% nesse ano. O Boletim Económico de dezembro aponta para um crescimento “robusto” das exportações portuguesas, ainda que essa expansão vá ter “alguma moderação”. “As projeções apontam para um crescimento robusto das exportações até 2020, refletindo aumentos da procura externa e ganhos de quota de mercado”, esclarece o BdP.

Ainda assim, o Banco de Portugal nota que a evolução das exportações nos últimos anos é de assinalar: “Em 2020, as exportações deverão atingir um nível 68% superior ao registado em 2008”. Além disso, o peso das exportações ficará perto dos 50% e aproximar-se-á de perto com o consumo privado, o principal e histórico motor da economia portuguesa.

Até 2020, no entanto, as exportações darão um contributo inferior para a variação do PIB, em comparação com a procura interna. “O contributo das exportações apresenta um perfil de ligeira redução, tornando-se inferior ao da procura interna no período 2019-2020”, aponta o BdP.

O dinamismo das exportações continuará se o enquadramento externo se mantiver favorável, tal como está atualmente, perante as pressões do protecionismo. Apesar de diminuir a conquista, Portugal vai continuar a registar ganhos na quota de mercado. Esta projeção tem subjacente um crescimento entre 3% a 5% do comércio mundial e uma manutenção do preço do petróleo entre os 54 e os 62 dólares por barril.

Independentemente do crescimento que as exportações vierem a registar no seu todo, o turismo continuará a ter um peso decisivo. “Prevê-se que as exportações de turismo mantenham um crescimento superior ao das exportações totais”, avança a análise do banco central, graças à melhoria da posição competitiva do mercado português. Além disso, as exportações da Autoeuropa, rebocadas pelo novo modelo, o T-Roc, serão um fator essencial para os próximos anos das exportações portuguesas.

No mesmo sentido, o Banco de Portugal prevê uma desaceleração das importações, o que deverá manter a balança comercial de bens e serviços no mesmo nível, ainda que inferior ao excedente registado em 2016. O BdP prevê que os bens duradouros deixem de pesar tanto no consumo privado como pesaram em 2016 e 2017 — a explicação deste fenómeno passa pelo adiamento deste tipo de compras (automóveis, mobiliário, entre outros) que as famílias impuseram durante a crise. Assim, as importações desse âmbito também vão decrescer.

No Programa Internacionalizar recentemente apresentado, o Governo estipula o objetivo de “aumentar as exportações de bens e serviços (ambicionando-se atingir um volume de exportações equivalente a 50% do PIB na primeira metade da próxima década)”. O Executivo pretende “aumentar o número de exportadores, promover a diversificação dos mercados de exportação, incrementar os níveis de investimento (nacionais e estrangeiro), fomentar o aumento do valor acrescentado nacional, e promover uma maior e melhor articulação entre os vários agentes envolvidos nos processos de internacionalização da economia portuguesa”.

(Atualização com uma correção: o objetivo do Governo é atingir os 50% até 2025 e não em 2020, como anteriormente referia este artigo)

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