Como os CTT querem poupar 45 milhões de euros até 2020

Para além de reduzir o dividendo e de cortar até 25% os salários dos membros da administração, os CTT planeiam despedir mil trabalhadores, fechar lojas e concessionar a gestão de postos de correios.

Os CTT já apresentaram o plano de reestruturação para fazer face à quebra das receitas e dos lucros que se tem verificado nos últimos anos. A empresa de serviços postais espera poupar até 45 milhões de euros a partir de 2020, para “ajudar a contrariar a contínua queda estrutural do negócio de correio”.

Para isso, vai seguir um plano de quatro pontos: ajustamento de políticas de recursos humanos e redução de custos com fornecimentos e serviços externos; racionalização de ativos não estratégicos; otimização da rede de lojas; reorganização da rede de distribuição. Na prática, para além de reduzir o dividendo a distribuir pelos acionistas e de cortar até 25% os salários dos membros da administração, os CTT planeiam também despedir mil trabalhadores, fechar lojas e concessionar a gestão de postos de correio.

Salários cortados em 25%, custos externos reduzidos em sete milhões

A primeira parte do plano de reestruturação entra em ação ainda este ano. O presidente do conselho de administração e o presidente executivo dos CTT vão ver a remuneração fixa reduzida em 25% e os restantes administradores executivos e não executivos vão sofrer um corte salarial de 15% no próximo ano. Além disso, “não haverá lugar a remuneração variável para a comissão executiva”, nem neste ano nem no próximo.

Para os restantes colaboradores, os aumentos salariais não obrigatórios vão ser limitados no próximo ano, e a remuneração variável dos colaboradores referente a 2017 vai sofrer uma “forte redução”.

Quanto à redução de custos com fornecimentos e serviços externos, os CTT planeiam reduzir “gastos não relacionados com as alavancas de crescimento, tais como tecnologias de informação, rendas, utilities, comunicações e frota”. A empresa vai ainda renegociar contratos e racionalizar a utilização de serviços e instalações.

Este corte de custos deverá resultar num impacto positivo para o EBITDA (juros antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) de seis a sete milhões de euros em 2020.

200 despedimentos para já. Mais 800 depois

A primeira fase do processo de despedimentos já está a ser implementada e deverá ficar concluída ainda este ano ou nos primeiros meses do próximo. Em curso está um processo de rescisões através do qual os CTT pretendem despedir 200 trabalhadores. Destes, 140 já aceitaram rescindir, ao longo das últimas semanas.

O despedimento destes 200 trabalhadores resultará em poupanças de cinco a seis milhões de euros a partir de 2020, mas também irá custar 14 milhões de euros em indemnizações.

A partir do próximo ano, começa a ser implementado um novo processo de despedimentos, que irá levar à saída de mais 800 trabalhadores. Feitas as contas, a empresa, que no final de 2016 contava com 12.401 trabalhadores, vai reduzir a sua força de trabalho em 8%.

A saída destes 800 trabalhadores deverá representar uma poupança de 25 milhões de euros a partir de 2020 e um custo imediato, em indemnizações, também de 25 milhões de euros.

Lojas com pouca procura fecham. Venda de imóveis rende 13 milhões

Quanto à otimização da rede de lojas, o plano de reestruturação prevê a “conversão de lojas em postos de correio ou fecho de lojas com pouca procura por parte dos clientes“. Não está definido, no plano, quantas lojas serão convertidas ou encerradas, mas o objetivo é poupar entre seis e sete milhões de euros com esta medida. Aqui, a empresa prevê também “continuar a desenvolver o modelo de postos de correio explorados por terceiros”.

Os CTT pretendem ainda vender 30 imóveis, considerados ativos não estratégicos, esperando um encaixe de 12 a 13 milhões com estas vendas. A partir de 2020, quando já não tiver custos com estes imóveis, a empresa irá poupar outros seis a sete milhões de euros.

Mais eficiência através da automatização

Por fim, a empresa vai “redesenhar a arquitetura e a cobertura da rede de distribuição”, ajustando “a dimensão e tipologia da frota” e concentrando os centros de distribuição postal.

O plano prevê também uma melhoria da “eficiência dos processos de divisão e sequenciamento através da automatização” e o aumento da “produtividade através da redução do absentismo”.

São estas duas medidas que irão levar ao despedimento de 800 trabalhadores até 2020 e permitir à empresa poupar os 25 milhões de euros mencionados anteriormente.

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