CTT cortam salários da administração até 25%. Não há prémios de gestão de 2017 e 2018

Salários do chairman e CEO vão sofrer corte de 25%. Gestores não vão receber prémios nos próximos dois anos. Francisco Lacerda quer dar o peito às balas na reestruturação.

Os salários do presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva dos CTT vão sofrer um corte de 25%, enquanto os restantes membros destes órgãos vão ver a folha salarial emagrecer em 15%. Para nenhum dos gestores executivos haverá qualquer prémio em 2017 e 2018. Estas medidas fazem parte do plano de reestruturação anunciado esta terça-feira. Francisco Lacerda pretende dar o exemplo a investidores e trabalhadores que também estão a sofrer com a reestruturação dos Correios.

Os CTT acabaram de apresentar publicamente o plano de reestruturação a ser implementado nos próximos dois anos, isto depois dos resultados insatisfatórios alcançados nos primeiros nove meses do ano. O lucro caiu 57% face ao mesmo período do ano passado, penalizado pela redução do negócio do correio postal, enquanto os custos agravaram ligeiramente. No profit warning emitido em outubro, o presidente executivo anunciou logo os primeiros cortes: reduziu o dividendo em 20%, dos 48 cêntimos para os 38 cêntimos, deixando o mercado, os investidores e até acionistas em sobressalto.

Agora, entre as medidas incluídas no chamado Plano de Transformação Operacional estão reduções nas remunerações da própria gestão da empresa, num sinal claro de que também os administradores vão dar o corpo às balas nesta contenção de custos.

De acordo com as contas de 2016, Francisco Lacerda auferiu um salário fixo superior a 500 mil euros e uma remuneração variável de 411 mil euros, isto enquanto chairman e CEO. Toda a Comissão Executiva por ele liderada recebeu mais de 3,4 milhões de euros, dos quais 1,4 milhões correspondem a prémios. Já a remuneração do Conselho de Administração e a Comissão de Auditoria ascendeu a 3,8 milhões de euros. A ordem agora é para reduzir a fatura com salários de toda a administração que totalizou os sete milhões de euros no ano passado.

Adicionalmente, serão impostas limitações nas subidas dos salários e das remunerações variáveis de todos os trabalhadores. De resto, também os prémios aos colaboradores vão sofrer uma forte redução.

O esforço para conter os gastos não fica por aqui. Os CTT vão reduzir o recurso a fornecedores e serviços externos. O objetivo será alcançar uma poupança anual entre os seis e os sete milhões de euros até 2020. Em cima da mesa está a “redução de gastos que não estão relacionais com as alavancas de crescimento, tais como TI, rendas, utilities, comunicações e frota”, lê-se no plano divulgado ao mercado.

Com este plano, a empresa procura dar a volta à descida acentuada dos lucros que colocaram a empresa no olho do furacão dos mercados e até o poder político.

Por causa disto, aliás, a administração está ciente de que o plano vai ser alvo um escrutínio apertado e pretende imprimir uma reestruturação que tenha em vista assegurar simultaneamente três objetivos primordiais: manter a qualidade do serviço, cumprir as exigências regulatórias que advêm do contrato de concessão do serviço postal e ainda melhorar a eficiência operacional da empresa (leia-se, comprimir custos).

No âmbito deste último objetivo, o processo em curso que vai levar à saída de 300 trabalhadores está perto de ficar concluído. Mas está previsto o abandono de mais 800 trabalhadores a tempo inteiro ao longo dos próximos três anos.

(Notícia atualizada às 17h20)

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