CTT reafirmam dividendo de 38 cêntimos, mas abrem a porta a mais cortes na remuneração acionista

Administração quer uma política de dividendos alinha com os lucros, deixando aberta a porta a mais cortes na remuneração acionista nos próximos anos em que a reestruturação vai impactar nas contas.

Alerta ao investidor. Os CTT garantem que vão pagar o dividendo de 38 cêntimos relativos ao exercício deste ano, abaixo dos 48 cêntimos iniciais, mas admitem baixar de novo o dividendo nos próximos anos. A administração pretende ter uma política de remuneração acionista “alinhada com o seu resultado líquido”. Mas com o plano de reestruturação a impactar nas contas dos próximos anos, está aberta a porta a novos cortes no dinheiro a distribuir pelos acionistas.

“Durante o período de investimento do plano de transformação operacional (2018-2019), o Conselho de Administração tenciona propor que a empresa implemente uma política de dividendos alinhada com o seu resultado líquido, reforçada com a utilização de reservas distribuíveis“, lê-se no comunicado da empresa liderada por Francisco Lacerda ao mercado.

O dividendo de 38 cêntimos relativos ao exercício de 2017, a ser pago em 2018, foi reafirmado.

Aquando da apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, os CTT anunciaram uma redução de 20% da remuneração aos acionistas dos 48 cêntimos para os 38 cêntimos. Isto depois de ter registado uma quebra acentuada do lucro, razão pela qual a administração apresentou agora um plano de reestruturação para devolver confiança aos investidores e trabalhadores.

Este plano prevê a saída de 1.000 trabalhadores nos até 2020 e os cortes salariais vão chegar à administração. Francisco Lacerda vai ver o seu salário reduzido em 25%, enquanto os restantes administradores terão cortes de 15%. Além disso, prémios relativos aos anos de 2017 e 2018 vão ser eliminados.

Os CTT dizem que “é expectável que as medidas planeadas criem um impacto positivo no EBITDA recorrente a partir do próximo ano, contrariando a queda do tráfego de correio (apesar dos gastos não recorrentes envolvidos)”.

Em 2016, os CTT destinaram 72 milhões de euros para a distribuição de dividendos, acima do lucro de 62 milhões de euros, o que obrigou Lacerda a recorrer a reservas distribuíveis. Ou seja, o payout superou os 100%. É o que deverá acontecer nos próximos anos, sinaliza a empresa de correios postais.

(Notícia atualizada às 18h05)

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