Mais remunerações mas ainda mais impostos: poupança das famílias regista valor mais baixo desde 1999

  • Margarida Peixoto
  • 22 Dezembro 2017

A taxa de poupança das famílias caiu para 4,4% do rendimento disponível, no ano terminado em setembro. Este é o valor mais baixo desde 1999, o início da série do INE.

A taxa de poupança das famílias registou um novo mínimo: caiu para 4,4% do rendimento disponível no ano terminado em setembro, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é o valor mais baixo desde 1999, quando começa a série estatística do INE.

A poupança das famílias está agora um ponto percentual abaixo do registado há três meses (quando era de 5,4%) e o organismo de estatística nota que neste período — que inclui o último trimestre de 2016 e os primeiros três trimestres deste ano — o rendimento disponível das famílias diminuiu 0,3%.

Taxa de poupança a cair

Fonte: INE

A redução do rendimento das famílias neste período explica-se, diz o INE, por um aumento mais acentuado dos impostos pagos do que a subida das remunerações. Por outras palavras, quer dizer que neste período em concreto as remunerações das famílias até subiram, mas os impostos pagos subiram ainda mais. Ainda assim, o INE sublinha que esta variação resulta sobretudo de um efeito de compensação.

Tal como explica o organismo de estatísticas, os impostos sobre o rendimento contribuíram negativamente para a evolução dos rendimentos das famílias com 0,8 pontos percentuais. Mas o contributo do aumento das remunerações ficou-se pelos 0,6 pontos, o que explica que, feitas as contas, o rendimento disponível tenha diminuído.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Mais remunerações mas ainda mais impostos: poupança das famílias regista valor mais baixo desde 1999

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião