Depois de 1.160 dias, Ramalho fechou a venda do Novo Banco

  • Rita Atalaia
  • 26 Dezembro 2017

O Novo Banco foi comprado a 18 de outubro. Foram necessários mais de três anos para encerrar o processo de venda do banco que resultou da falência do Banco Espírito Santo.

18 de outubro, 11h30, o Lone Star sela a compra do Novo Banco. Foram necessários 1.160 dias para António Ramalho concluir esta venda do banco que resultou da falência do Banco Espírito Santo (BES). “É um passo decisivo de estabilização do setor financeiro nacional“, disse Carlos Costa, governador do Banco de Portugal (BdP), depois de assinar o acordo de venda da instituição financeira com o senior managing director do Lone Star.

Com este acordo, o fundo norte-americano concordou transferir 750 milhões de euros para o Novo Banco uns dias antes da assinatura. E só depois injetou 250 milhões — o Lone Star comprometeu-se a passar o segundo “cheque” até ao final do ano. Ao todo, é uma injeção de mil milhões de euros em troca de uma participação de 75% no capital. Os restantes 25% ficam nas mãos do Fundo de Resolução. Para o norte-americano Donald Quintin, esta operação traduziu-se numa “melhoria significativa” da posição de capital do Novo Banco.

Este acordo envolveu ainda outra operação: uma troca de dívida por depósitos que permitiu uma poupança de 500 milhões de euros, condição essencial para a venda ao Lone Star. António Ramalho congratulou-se com o resultado da operação, afirmando ao ECO que “foi uma prova de dupla confiança [dos investidores] no banco”. Primeiro quando aceitaram a oferta, depois por manterem o dinheiro no banco em depósitos, garantindo-lhe liquidez.

Este reforço do capital do banco foi o resultado de vários meses de negociação desde que o BdP anunciou no início do ano que iria entrar em negociações exclusivas com o Lone Star. O BdP “concluiu com base nos elementos disponíveis nesta data que o potencial investidor Lone Star é a entidade mais bem colocada para finalizar com sucesso o processo negocial”, lia-se no comunicado do regulador.

Foi a 18 de outubro que Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, com Donald Quintin, senior managing director do Lone Star, na assinatura da venda do Novo Banco.Paula Nunes / ECO

O fundo norte-americano já faz parte de uma segunda tentativa de venda do Novo Banco, que contou ainda com o interesse do BCP, BPI e do fundo norte-americano Apollo Management, em parceria com a Center Bridge. O banco liderado por Carlos Costa tentou, no final de 2014, vender a instituição financeira que resultou da falência do BES. Mas sem sucesso. Eram 17 os interessados, mas nenhuma proposta se encaixava nas exigências do regulador.

Esta primeira tentativa do BdP aconteceu pouco tempo depois de o governador ter anunciado a resolução do BES. “O conselho de administração do Banco de Portugal deliberou hoje aplicar ao BES uma medida de resolução. A generalidade da atividade e do património do BES é transferida para um banco novo, denominado de Novo Banco, devidamente capitalizado e expurgado de ativos problemáticos”, anunciou Carlos Costa a 4 de agosto de 2014.

Depois de vários meses de pressão, o BES desapareceu de domingo para segunda e nasceu o Novo Banco, uma instituição financeira de marca branca. Uma falência que é considerada “culposa” pela comissão liquidatária do BES. Segundo o parecer proposto, há 13 responsáveis, entre estes Ricardo Salgado e toda a gestão do banco, pela má gestão que terá “gerado um prejuízo global para o BES de 5,9 mil milhões de euros, o que conduziu, ou agravou, inelutavelmente, a situação de insolvência em que se encontra”. Cabe agora ao Ministério Público avaliar este parecer.

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