Adágios? Foi um ano cheio… de tiros ao lado

As velhas máximas dos mercados falham? Falham. E este ano falharam quase todas. Os "tiros" foram ao lado, especialmente no que respeita à bolsa nacional.

São muitos os que tentam prever o que vai acontecer nos mercados, mas não é tarefa fácil. Daí que outros tantos se socorram dos adágios, desempenhos verificados historicamente que, por vezes, acabam por ser bons conselheiros para os investidores. Podem ajudar a ganhar muito… ou a perder pouco.

Estas velhas máximas falham? Falham. E este ano falharam quase todas. Os “tiros” foram ao lado, especialmente no que respeita à bolsa nacional que depois de afundar em janeiro, prepara-se para fechar o ano com saldo positivo. Uma valorização expressiva à conta de ganhos nos meses antes e depois do verão, com setembro a ser um dos melhores meses do ano. Sobe muito, mas não por causa do Pai Natal que, desta vez, deu pouco gás ao PSI-20.

Como vai janeiro, assim vai o ano inteiro

O adágio referente ao primeiro mês do ano é bastante simples: “Como vai janeiro, vai o ano inteiro”. E como foi janeiro? Negativo na Europa, incluindo na bolsa portuguesa, mas positivo do outro lado do Atlântico. Lisboa viveu mesmo o pior mês do ano em janeiro, altura em que o índice de referência nacional registou uma queda de 4,36%.

Mau prenúncio? Não. O adágio falhou. Após um primeiro mês do ano marcado por uma queda acentuada, o índice português conseguiu quatro meses consecutivos de fortes ganhos, incluindo uma valorização de 7,74% em março, a maior subida mensal do ano. Subidas expressivas que, apesar de alguns percalços, permitiram ao PSI-20 chegar ao final do ano com um saldo positivo de 15%. É a maior subida anual desde 2013.

Se falhou em Lisboa, falhou também nos restantes mercados europeus, assumindo o Stoxx 600 como referência. É que apesar da descida de 0,36% no primeiro mês do ano, o saldo de 2017 prepara-se para ser positivo em cerca de 8%, reflexo do crescimento otimismo dos investidores na economia da região — mas também do apoio que o Banco Central Europeu dá e vai continuar a dar.

Só mesmo nos EUA o mês de janeiro foi, efetivamente, um bom conselheiro para os investidores. Enquanto a Europa arrancou o ano em queda, o S&P 500 subiu 1,79% logo no primeiro mês, dando o “tiro de partida” para um ano em que deverá registar uma valorização de cerca de 20%. Foi um ano de recordes nas bolsas norte-americanas, apoiados numa reforma fiscal que tardou mas chegou. E numa Fed que está a acelerar a inversão da política monetária para responder ao ímpeto da maior economia do mundo.

Fonte: Bloomberg

Sell in May and go away

Este é daqueles que todos os investidores sabem de cor: “Sell in May and go away, and come on back on St. Leger’s Day”, ou seja, venda em maio em e só volte às bolsas depois do feriado de St. Leger, no final de setembro, é o adágio dos adágios, por tantas vezes se concretizar. Mas isso não quer dizer que não falhe.

Se no caso da Europa, o adágio foi bom conselheiro, com o índice de referência da região a apresentar um saldo negativo de 0,47% entre o final de maio e o final de setembro, o mesmo não se pode dizer relativamente à bolsa nacional. Depois de um janeiro negro, seguiram-se meses de ganhos acentuados. Em maio valorizou mais de 5%, recuando em junho, para voltar a subir em julho. E em setembro voltou a ganhar quase 5%, apresentando um saldo positivo de 2,26% no período do adágio.

Melhor desempenho acabou por ter o S&P 500, que quase duplicou o registo alcançado pela praça nacional a apresentar uma valorização de 4,46%. Nem mesmo o período de férias travou o desempenho do índice de referência norte-americano num ano que ficou marcado por recordes constantes em Wall Street.

Fonte: Bloomberg

Setembro, o pior de todos os meses?

Setembro costuma trazer más notícias para as bolsas mundiais, sendo regra geral o pior mês do ano. Há razões para isso acontecer: investidores acabados de chegar de férias e que dão menor volume à negociação de títulos, entrada num novo ciclo com notícias empresariais ou de política monetária que não auguram nada de bom. E o adágio ganha força. Foi assim que aconteceu este ano?

Nem por isso. Em Lisboa, setembro acabou por ser um mês bastante positivo: o PSI-20 somou ganhos de quase 5%, contrariando um provérbio que os investidores pouco gostam. Foi o mês em que a Standard & Poor’s tirou Portugal do “lixo”, ajudando a reforçar o otimismo na bolsa. O mesmo aconteceu com o Stoxx 600 e o S&P 500, que se apresentaram em alta de 3,8% e 1,8%, respetivamente.

Contrariamente, Lisboa registou o pior mês do ano logo em janeiro, quando caiu 4,36%. Lá fora, junho foi sinónimo de perdas para Londres e Wall Street, com quedas mensais de 2,72% e 0,04%. Para o S&P 500, foi o único mês no vermelho.

Fonte: Bloomberg

Rally do Pai Natal? Trenó com pouco gás

No mês do Natal, as prendas também chegam à bolsa. Muitos investidores querem aproveitar a boleia do Pai Natal para chegar ao fim do ano com razões para celebrar a passagem do Ano Novo. É o último adágio do ano, num rally que costuma trazer ganhos expressivos à bolsa. Grandes investidores, como fundos de investimento, aproveitam o último mês do ano para reajustar carteiras, imprimindo um bom momento nos mercados.

Este ano, o trenó do Pai Natal teve pouco gás. É verdade que Lisboa, Londres e Nova Iorque tiveram ganhos, mas não foram por aí além. No PSI-20 e no Stoxx 600, as subidas não chegam a 1% e dezembro está longe de ser o melhor mês para elas. Em relação ao S&P 500, o índice avança 1,3%. Pouco fôlego para quem já acumula ganhos de 20% em 2017.

Fonte: Bloomberg

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