Bancos prometem cortar rácio do malparado de 22% para 10% até 2021

  • Rita Atalaia
  • 19 Janeiro 2018

A Comissão Europeia considera que o plano de reduzir em mais de dez pontos percentuais o rácio de crédito malparado num prazo de três anos é "ambicioso mas realista".

Os bancos portugueses, nomeadamente os que têm níveis mais elevados de Non Performing Loan (NPL) como é o caso da Caixa Geral de Depósitos (CGD), do BCP e do Novo Banco, fizeram uma promessa aos reguladores: reduzir em mais de dez pontos percentuais o rácio de crédito malparado num prazo de três anos. Um problema que continua a pesar no balanço das entidades bancárias e a penalizar a rentabilidade das instituições financeiras. Apesar de a Comissão Europeia reconhecer que foram feitos progressos, as autoridades dizem que é preciso continuar.

“Os seis bancos portugueses com os níveis mais elevados de NPL apresentaram planos a cinco anos para a redução do malparado ao Banco de Portugal e ao Mecanismo Único de Supervisão. Estes bancos tinham um rácio médio de NPL de 22% até ao final de 2016 e estão a planear reduzi-lo para 10% até 2021″, lê-se na sétima avaliação da Comissão Europeia referente ao pós-programa de assistência financeira publicado esta sexta-feira.

"Os seis bancos portugueses com os níveis mais elevados de NPL apresentaram planos a cinco anos para a redução do malparado ao Banco de Portugal e ao Mecanismo Único de Supervisão. Estes bancos tinham um rácio médio de NPL de 22% até ao final de 2016 e estão a planear reduzi-lo para 10% até 2021.”

Comissão Europeia

Segundo as autoridades europeias, “os bancos têm vendido portefólios de NPL, fizeram progressos a nível das execuções hipotecárias e na diminuição dos créditos em incumprimento”. Isto fez com que, desde junho de 2016, estes ativos em incumprimento tenham diminuído cerca de 10,5 mil milhões de euros para perto de 40 mil milhões.

“O Banco de Portugal e o Mecanismo Único de Supervisão consideram que os planos são ambiciosos mas realistas, e a implementação está, até agora, no bom caminho”, nota ainda a Comissão Europeia. Apesar de as autoridades reconhecerem que foram feitos “progressos palpáveis”, o documento alerta para a persistência de alguns problemas: baixa rentabilidade, almofadas de capital limitadas e rácios de malparado ainda elevados, embora estejam a diminuir. É nesse sentido que Bruxelas pede que se mantenha “o ímpeto na redução do malparado”, bem como na reestruturação dos empréstimos das empresas.

Esta posição é partilhada pela Fitch. Josu Fabo, o responsável da agência pelo rating das instituições financeiras, reconheceu as iniciativas que os bancos têm feito para resolver o malparado, como foi o caso da criação da plataforma para resolver estes créditos em incumprimento, mas afirmou que estas medidas não vão resolver o problema “por magia”.

A Comissão Europeia também afirma que a “plataforma não vai afetar muito o processo de redução dos NPL, uma vez que os empréstimos vão continuar no balanço dos bancos”. Mas a autoridades “referem que [esta iniciativa] deve ajudar no médio prazo”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Bancos prometem cortar rácio do malparado de 22% para 10% até 2021

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião