Fitch: Plataforma ajuda, mas “não faz magia” com o malparado

  • Rita Atalaia
  • 18 Janeiro 2018

Josu Fabo, responsável da Fitch, afirma que as iniciativas dos bancos portugueses para reduzirem o malparado "estão na direção certa", mas não resolvem o problema "por magia".

Josu Fabo, o responsável da Fitch pelo rating das instituições financeiras, reconhece que a banca portuguesa tem feito progressos, mas alerta que ainda há desafios significativos por superar. É o caso do nível ainda elevado de crédito malparado no balanço dos bancos. Um fardo que as instituições têm tentado reduzir com várias iniciativas. Contudo, para a agência de notação, estas medidas não vão resolver o problema. É preciso fazer mais.

“Estas iniciativas estão na direção certa, mas não resolvem por magia o problema [do malparado] no curto prazo”, afirma Josu Fabo no Credit Lisbon Seminar promovido pela Fitch em Lisboa. É o caso da platafoma criada para reduzir os créditos em incumprimento, que conta com a Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP e Novo Banco. Uma iniciativa que deve começar a dar frutos no final do primeiro trimestre de 2018.

"Estas iniciativas estão na direção certa, mas não resolvem por magia o problema [do malparado] no curto prazo.”

Josu Fabo

Director of Financial Institutions Ratings

Para o Director of Financial Institutions Ratings, “os bancos reduziram o volume de Non Performing Loans, mas ainda é elevado”. O analista refere que a rentabilidade ainda está fraca. “Mas que a perspetiva do fim do programa de compra de dívida [do Banco Central Europeu] e a subida dos juros leva a prever uma melhoria das margens”.

Apesar de reconhecer que foram feitos progressos no setor bancário nacional, Josu Fabo nota que ainda há obstáculos a superar. “Temos de realçar que ainda há desafios para o setor bancário. Estes têm de ser resolvidos para que os bancos melhorarem os ratings e os perfis de risco”, salienta.

As declarações são feitas depois de a Fitch ter melhorado apenas o rating do Montepio e Santander Totta após ter retirado Portugal de “lixo”. A agência de notação reafirmou os ratings do BCP, BPI e CGD, melhorando o outlook do banco liderado por Pablo Forero e da instituição financeira liderada por Paulo Macedo para positivo.

Ainda esta quinta-feira foi apresentado o primeiro relatório intercalar sobre o combate aos créditos não produtivos. A Comissão Europeia “congratulou-se com os progressos realizados no combate” aos NPL, “resultantes de um esforço contínuo, tanto a nível nacional como da União Europeia, de redução dos riscos que afetam parte do setor bancário europeu”.

Neste primeiro relatório do Plano de Ação para a redução dos créditos não produtivos, a Comissão Europeia destaca uma nova diminuição dos rácios de NPL e as medidas previstas no sentido de uma redução adicional destes créditos, incluindo a venda de portefólios destes créditos em incumprimento.

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