Alemanha: Patrões e trabalhadores fecham acordo que dá aumento de 4,3% e jornadas mais curtas

  • Margarida Peixoto
  • 6 Fevereiro 2018

O IG Metall, um dos sindicatos mais representativos na Alemanha, chegou a acordo com a confederação patronal Suedwestmetall depois de uma guerra dura. Salários vão subir e horários serão mais curtos.

Acordo fechado: os trabalhadores terão direito a um aumento 4,3% a partir de abril e poderão fazer semanas de trabalho mais curtas, de 28 horas, se tiverem, por exemplo, filhos menores. A guerra entre o IG Metall, o maior sindicato metalomecânico na Alemanha e que marca o ritmo da evolução salarial da indústria, e o Suedwestmetall, a confederação patronal do setor, chegou ao fim esta terça-feira.

O acordo aplica-se diretamente a cerca de 500 mil trabalhadores, mas deverá servir de bitola para as rondas negociais que serão iniciadas por outros sindicatos do setor, adianta a Reuters. O entendimento chegou depois de dias de greve que terão custado às empresas do setor — a agência de notícias cita a Daimler, BMW e Airbus — cerca de 200 milhões de euros.

Os contornos do acordo, válido para os próximos 27 meses, são complexos, mas a Reuters dá conta do fundamental:

  • Aumentos salariais de 4,3% (o sindicato partiu para as negociações com uma reivindicação de 6% de aumento) em abril;
  • Em termos anualizados, o aumento será de 3,5%;
  • Direito a reduzir a semana de trabalho das 35 horas para 28 horas no caso de trabalhadores com filhos menores, doentes ou idosos a cargo, durante um período de até dois anos;
  • As empresas ganharam a opção de contratar mais trabalhadores disponíveis para trabalhar 40 horas semanais, de forma a terem elemento de flexibilidade que lhes permitam responder a acréscimos de procura;
  • Prémio de 100 euros em abril;
  • A partir de 2019, prémio anual de 400, bem como um pagamento equivalente a 27,5% do seu salário;
  • Para alguns trabalhadores, haverá a opção de escolher menos horas de trabalho, em vez dos prémios anuais.

Economistas antecipam subida do consumo e da inflação

Perante o acordo, Frederik Ducrozet, um economista ouvido pela Reuters, antecipa que os salários da economia alemã deverão aumentar em torno de 4% nos próximos dois anos. Este pode ser um passo fundamental para estimular tanto o consumo interno na Alemanha, como a inflação — dois objetivos que têm vindo a ser sublinhados como fundamentais para estabelecer o equilíbrio macroeconómico na zona euro.

A concretizar-se o aquecimento do mercado doméstico alemão deverá ajudar o Banco Central Europeu na retirada progressiva dos estímulos ao mercado.

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