Moody’s prepara descida do ‘rating’ de Angola

  • Lusa
  • 8 Fevereiro 2018

A agência Moody's acaba de colocar o 'rating' de Angola sob revisão. A decisão foi justificada pela degradação da balança de pagamentos e pela crise da Sonangol.

A agência de notação financeira Moody’s colocou, esta quinta-feira, o rating de Angola sob revisão para descida devido à degradação da balança de pagamentos e ao aumento das necessidades de financiamento resultantes da assunção da dívida da Sonangol.

“A decisão de colocar o rating em revisão para a descida foi desencadeada pela deterioração da balança de pagamentos do Governo e o aumento das necessidades de financiamento, comparadas com as expectativas da Moody’s em outubro de 2017, quando o rating de Angola foi descido para B2″, lê-se na nota que acompanha o anúncio.

O aumento das necessidades de financiamento de Angola é motivado “pela assunção pelo Governo da dívida da companhia nacional de petróleo [Sonangol], reconhecimento significativo de atrasos nos pagamentos e a forte deterioração da moeda nacional no seguimento da introdução de uma taxa de câmbio mais flexível”, acrescenta-se na nota.

A agência de notação financeira, que em outubro do ano passado afundou ainda mais o rating de Angola em território de não recomendação de investimento, ou ‘lixo’, como é geralmente conhecido, diz ainda que o período de revisão do rating “vai permitir uma avaliação da capacidade e da vontade do Governo para lidar com o aumento do peso da dívida e gerir o maior risco de liquidez que Angola enfrenta”.

A Moody’s avisa ainda que, durante o período de avaliação da inclinação para a descida do ‘rating’, vai “considerar a capacidade do Governo cumprir com os seus planos de consolidação orçamental e avaliar os riscos de créditos e as vantagens colocadas pela flexibilização da taxa de câmbio”.

Por outro lado, concluem os analistas, “o período de revisão vai também permitir à Moody’s explorar as implicações potenciais da reestruturação da dívida proposta aos investidores privados”.

Dívida pública de passa os 70% do PIB

A agência de notação financeira Moody’s prevê que a dívida pública de Angola suba para mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, crescendo 10 pontos percentuais só desde outubro.

“A dívida global de Angola face ao PIB já subiu 10 pontos percentuais para além do nível que a Moody’s antecipava em outubro de 2017”, quando a agência de notação financeira desceu o ‘rating’ do país para B2, ainda mais abaixo na recomendação de não investimento, escrevem os analistas na nota que acompanha a decisão de colocar a avaliação da qualidade do crédito em revisão negativa.

O aumento da dívida pública angolana deveu-se essencialmente “à depreciação do kwanza face ao dólar e ao apoio financeiro dado às empresas públicas no ano passado”, o que faz com que a Moody’s estime que a dívida pública tenha chegado aos 74 mil milhões de dólares, cerca de 66% do PIB, no final do ano passado”.

Isto, “juntamente com o ajustamento cambial em curso e com a eliminação de 5 mil milhões de dólares em atrasos a fornecedores, [faz com que] o rácio da dívida deva ultrapassar os 70% no final deste trimestre”.

 

O custo dos juros da dívida, ou seja, o valor que Angola paga só em juros sobre o dinheiro que pediu emprestado ou sobre as emissões que fez “chegaram quase a 21% em 2017, subindo face aos 16% de 2016, e a Moody’s estima que vão aumentar ainda mais em 2018″.

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