Governador da Letónia no BCE detido por alegada corrupção

  • ECO
  • 18 Fevereiro 2018

O governador do banco central da Letónia foi detido pelo gabinete de anticorrupção. A ministra das Finanças já pediu a Ilmars Rimsevics para deixar o cargo enquanto estiver sob suspeita.

O governador do banco central da Letónia foi detido pelo gabinete de anticorrupção. A informação foi avançada por várias agências de notícias internacionais e confirmada pelo primeiro-ministro letão, Maris Kucinskis, depois de as autoridades terem realizado buscas no escritório e casa de Ilmars Rimsevics. Por agora, as autoridades ainda não avançaram mais detalhes nem justificaram a detenção daquele que é um dos membros do conselho de governadores do Banco Central Europeu.

Numa conferência de imprensa realizada este domingo, a ministra das Finanças, Dana Reizniece-Ozola, instou Rimsevics a deixar o cargo, pelo menos enquanto estiver sob suspeita, alegando que está em causa a reputação internacional da Letónia. A ministra disse que o sistema financeiro do país enfrenta “uma crise de reputação” e não uma crise financeira que afete a estabilidade de algum banco ou do sistema no seu conjunto. Referiu ainda desconhecer os motivos da detenção de Rimsevics ou as acusações que pode enfrentar.

De acordo com a Bloomberg, o governador do Banco da Letónia foi interrogado durante mais de oito horas na sede da agência anticorrupção e de madrugada foi detido, dias depois de as autoridades norte-americanas terem acusado o segundo banco letão, ABLV, de ter atividades de lavagem de dinheiro.

"Não há sinais que demonstrem quaisquer ameaças ao sistema financeiro da Letónia.”

Maris Kucinskis

Primeiro-ministro da Letónia

“Não há sinais que demonstrem quaisquer ameaças ao sistema financeiro da Letónia”, de acordo com um comunicado divulgado este domingo pelo primeiro-ministro, que aproveitou para elogiar o trabalho do departamento de anticorrupção e salientou a importância de não se interferir no trabalho das autoridades.

“Por enquanto, nem eu [como primeiro-ministro] nem qualquer outro funcionário temos algum motivo para interferir no trabalho do KNAB [gabinete de prevenção e combate à corrupção]”, disse o chefe de governo, citado pela agência de notícias BNS. Já o BCE recusou comentar.

Ainda este domingo, o vice-primeiro-ministro, Arvils Aseradens, também pediu ao governador para suspender funções enquanto líder do banco central. Aseradens disse depois à rádio Latvijas que haverá, na segunda-feira, um conselho de ministros extraordinário para se discutir esta questão.

(Notícia atualizada às 17h26 com mais informação)

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Governador da Letónia no BCE detido por alegada corrupção

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião