Santana Lopes avisa Rio: “Perdes o estado de graça num instante”

O opositor de Rui Rio veio para o congresso com uma atitude conciliadora. Este sábado discursou perante os militantes. A Rio deixou um aviso face à árdua tarefa que tem pela frente.

Pedro Santana Lopes, ex-primeiro-ministro, a discursar no 37.º Congresso do PSD.PAULA NUNES / ECO

Pedro Santana Lopes atacou a geringonça, mas reconheceu a dificuldade da tarefa que Rui Rio terá pela frente. Falou essencialmente para dentro do partido, pedindo sucessivamente unidade perante o novo líder e “sentido de responsabilidade” aos militantes. Além de admitir a dificuldade de vencer as próximas eleições, Santana Lopes deixou um alerta para os próximos tempos: “Perdes o estado de graça num instante”, disse, preparando-o para as críticas da esquerda agora que é líder da oposição.

Num discurso unificador, Santana Lopes não se inibiu de elogiar o seu recém oponente. “Elegemos um líder corajoso“, classificou, reconhecendo coragem “em quase tudo” o que Rio disse, até pela possibilidade de viabilizar os Governos do PS. “Se estivermos unidos vamos ser capazes da subida até ao Evereste até 2019”, ano em que se realizam as eleições legislativas, assinalando que se há “legitimidade para discordar” de Rio. Ainda assim, destacou: “Acabou de ser eleito e se Deus quiser terá vários mandatos à frente do PSD”.

Mas a batalha que terá pela frente não será fácil. Santana Lopes elencou várias dificuldades que Rui Rio enfrentará. “Como é que vai integrar o partido no novo quadro de realidades políticas?”, questionou, lançando mais perguntas: “Como não dar a António Costa e ao Partido Socialista o papel de partido o que disse com quem lhe convém mais coligar?” O ex-provedor da Santa Casa falou até da “paz” improvável de Bruxelas perante esta solução governativa.

É uma exigência enorme do ponto de vista programático“, admitiu, antecipando dificuldades para Rui Rio. Ofereceu as suas ideias ao novo líder e elencou algumas das prioridades que já vêm da campanha: o combate à desertificação do território, a importância da inovação, do crescimento económico, a importância do tema das políticas sociais — dossiê que quer “constantemente na agenda política” –, a descentralização dos serviços do Estado e as políticas fiscais ousadas. Em suma, “soluções que digam respeito à vida concreta dos portugueses”.

Face às dificuldades, Santana quis unir o partido e pediu aos militantes para ajudarem o novo líder nesta tarefa. “Não gostei de ver tentarem-te condicionar-te após seres eleito”, disse, avisando os potenciais críticos internos a Rio. Perante a possibilidade de um clima de guerra em que este congresso poderia ter-se tornado, Santana Lopes afirmou isso seria uma “irresponsabilidade”. “A liberdade tem de casar com sentido de responsabilidade“, vincou várias vezes, aproveitando para elogiar a iniciativa de Rio para ter convergência neste congresso. “Rui Rio teve este gesto que muitos outros não tiveram ao longo dos anos”.

(Notícia atualizada às 00h33)

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