Luis Montenegro sai do Parlamento e admite disputar liderança do PSD no futuro

  • Lusa
  • 17 Fevereiro 2018

Montenegro vai deixar o Parlamento a 5 de abril, 16 anos depois de ter tomado posse, e prometeu ao partido que poderá no futuro disputar a liderança.

O ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro anunciou este sábado que vai deixar o Parlamento a 5 de abril, 16 anos depois de ter tomado posse, e prometeu ao partido que poderá no futuro disputar a liderança.

“Conhecem a minha convicção e a minha determinação, se for preciso estar cá, eu cá estarei, para o que der e vier, sem receio de nada e sem estar por conta de ninguém, sou totalmente livre”, afirmou perante o 37.º Congresso do PSD, na intervenção mais aplaudida de hoje.

Conhecem a minha convicção e a minha determinação, se for preciso estar cá, eu cá estarei, para o que der e vier, sem receio de nada e sem estar por conta de ninguém, sou totalmente livre.

Luís Montenegro

“Desta vez decidi não, se algum dia entender dizer sim, já sabem que não vou pedir licença a ninguém”, afirmou.

Luís Montenegro fez questão de sublinhar que “esta é a hora de Rui Rio” e prometeu “ajudá-lo” no seu mandato, mas pediu-lhe igualmente que “não transforme o PSD no clube de amigos de Rui Rio”, parafraseando uma frase do líder na noite da sua eleição, em 13 de janeiro. “Quero dizer-lhe com toda a franqueza, eu desejo toda a sorte, que faça um bom trabalho, quero para si o que quereria para mim”, disse.

Luís Montenegro, aos 45 anos, vai abandonar o Parlamento para dedicar mais tempo à família e à profissão. Mas o combate político é para continuar.Paula Nunes/ECO 16 de fevereiro, 2018

No entanto, Montenegro deixou vários recados internos ao novo presidente eleito e à sua equipa, pedindo que se terminem “as guerras artificiais e os adversários internos virtuais”. “Eu não sou, não quero e não vou ser oposição interna a Rui Rio. Eu sou e continuarei a ser oposição a António Costa, a Catarina Martins e a Jerónimo de Sousa”, assegurou.

Eu não sou, não quero e não vou ser oposição interna a Rui Rio. Eu sou e continuarei a ser oposição a António Costa, a Catarina Martins e a Jerónimo de Sousa.

Luís Montenegro

O ex-líder parlamentar considerou ter sido alvo do que chamou de “provocações e insinuações” nas últimas semanas. “Desde falta de coragem a taticismo, de calculismo a falta de autenticidade, o deslumbramento de alguns deu para quase tudo”, criticou.

O ex-líder parlamentar considerou falso e injusto “acusar de falta de coragem quem passou últimos anos não num sofá ou lugar de resguardo, mas a dar o corpo às balas sem olhar a desgastes pessoais”, disse. “Não fui eu que estive à espera de disputar a liderança do PSD entre desejos alternantes de ser primeiro-ministro ou Presidente da República”, afirmou, numa referência direta a Rio, que recebeu aplausos.

E acrescentou que, se querem colar-lhe o “selo de calculismo”, haverá no partido “quem tenha a caderneta cheia e com mais selos” do que ele próprio nessa matéria. “Tenho na minha folha de serviços várias derrotas internas, mas nunca fiz opções a pensar ser candidato a coisa nenhuma e nenhum líder do PSD me pode acusar de deslealdade”, frisou.

Por isso, pediu a Rio que “ponha cobro a esses juízos de intenções” e concentre a sua energia no combate aos adversários externos, dizendo que “a sombra só incomoda os fracos” “Não deixe que o PSD se transforme no grupo dos amigos do Rui Rio ou na agremiação dos interesses do Rui Rio”, disse, numa das passagens mais aplaudidas e com gritos de “PSD, PSD”.

Sobre a sua decisão de deixar o lugar de deputado, Montenegro referiu que completou na sexta-feira 45 anos e considerou que é chegada a altura de dedicar mais tempo à sua profissão e à sua família. “Quero que saibam que não vou abandonar o combate, vou fazê-lo noutro local, na rádio, na televisão e porventura nos jornais. Mas estejam descansados, não o farei como outros, nesse combate vou sempre ajudar e representar o PSD”, assegurou.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Luis Montenegro sai do Parlamento e admite disputar liderança do PSD no futuro

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião