Eurogrupo apoia De Guindos. Falta o sim do Conselho Europeu

Os ministros das Finanças da zona euro apoiaram a candidatura de Luis De Guindos, o ministro da Economia espanhol, para o lugar de Vítor Constâncio no Banco Central Europeu.

Depois da desistência do irlandês Philip Lane, Luis De Guindos tinha o caminho aberto para substituir Vítor Constâncio, o ex-governador do Banco de Portugal que termina o seu mandato como vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE). O nome do ministro da Economia espanhol reuniu o apoio dos ministros das Finanças da zona euro esta segunda-feira no Eurogrupo. Falta apenas a confirmação do Conselho Europeu.

Após o apoio do Eurogrupo, a indicação de De Guindos passará pelo Conselho Europeu informal desta terça-feira onde se reúnem os chefes de Estado da União Europeia. Mas o espanhol ainda terá dois confrontos: primeiro, terá de ir novamente ao Parlamento Europeu, num encontro que se prevê mais duro dado que os eurodeputados preferiam o governador do Banco Central da Irlanda.

“Os dois candidatos fizeram uma boa apresentação. A maioria dos grupos políticos considerou o desempenho do governador (do banco central irlandês) Lane mais convincente. Alguns grupos manifestaram reservas quanto à nomeação do ministro (da Economia espanhol) Guindos”, disse o presidente da comissão de Economia do Parlamento Europeu, Roberto Gualtieri, após as audições dos dois candidatos.

Além disso, De Guindos terá também de passar o teste do parecer do conselho de governadores do Banco Central Europeu. Depois dessas duas etapas, caberá ao Conselho Europeu de 22 e 23 de março deliberar a decisão final sobre o processo. O novo vice-presidente do BCE vai substituir Vítor Constâncio a 1 de junho. O mandato é de oito anos e não pode ser renovado.

Centeno: “De Guindos foi eleito por unanimidade”

O presidente do Eurogrupo garantiu que a eleição reuniu “unanimidade“, rejeitando a ideia de que o ministro espanhol não é o mais indicado para o cargo. Para Mário Centeno, De Guindos tem um currículo “muito rico”, um percurso de “boas escolhas” durante a recente crise e as qualificações necessárias para ser vice-presidente do Banco Central Europeu. Confrontado com o perfil mais político do ministro da Economia de Espanha, Centeno disse acreditar que este vai desempenhar o seu possível novo cargo com independência. “Não é um pré-requisito ter experiência em bancos centrais“, rematou.

Mas foi Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Orçamentais, quem mais defendeu o ministro espanhol, desvalorizando o seu perfil mais político. E até o comparou com o atual vice-presidente, o português Vítor Constâncio: “Ele também foi ministro das Finanças e presidente de um partido“, referiu, argumentando que isso não é incompatível com um cargo mais técnico. Moscovici deu o seu próprio exemplo para defender que essa não é uma questão.

(Artigo atualizado às 19h41 com a conferência de imprensa pós-Eurogrupo)

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