Vieira da Silva diz que Santa Casa entrar no Montepio é como “investir em imóveis e arte”

  • Rita Atalaia
  • 19 Fevereiro 2018

O ministro do Trabalho garante que investimento da Santa Casa no Montepio não é "desbaratar ativos". Trata-se de "alocar a investimentos de outra natureza", assim como já aposta em casas e quadros.

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considera que a aposta da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) no setor financeiro é um investimento comparável à compra de casas e quadros. Uma aposta que, segundo Vieira da Silva, não afetará a capacidade de intervenção da Santa Casa na ação social, colocando no topo das prioridades acautelar os interesses desta entidade. Sobre a decisão em relação a este investimento no banco liderado por Félix Morgado, o ministro garante: “ainda não está tomada”.

“A participação financeira representará sempre um ativo da SCML. Assim, não se tratará de desbaratar ativos, mas sim os alocar os investimentos de outra natureza“, garante o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social numa resposta a várias questões colocadas pelos deputados do grupo parlamentar do CDS-PP. Isto “da mesma forma que a SCML investiu em património imobiliário e coleções de arte”, acrescenta.

Para Vieira da Silva, a possível entrada da Santa Casa no Montepio “pode ser um contributo para o setor social, atendendo a que esta última é detida, na totalidade, por entidades da economia social. A ser realizado, este investimento deve ser analisado, não a curto, mas a médio e longo prazo”.

Isto porque esta aposta “não se trata apenas de um investimento de natureza meramente financeira”, pois poderá “contribuir para o reforço de uma entidade financeira de natureza social”, referiu o ministro quando questionado se o Montepio não precisa de capital, então porque se colocou a questão de fazer este negócio.

Para quando a decisão? “Ainda não está tomada”

Ao longo da resposta do Ministério às questões dos deputados, é por várias vezes referido que a Santa Casa ainda não tomou uma decisão sobre este investimento. “A decisão não está tomada, o processo está em curso”, refere Vieira da Silva.

Nem está ainda definido o valor final. “A SCML colocou o limite máximo do investimento em 10% do capital da CEMG. Ou seja, o montante limite corresponderia a 10% de dois mil milhões de euros, se fosse esse o capital da CEMG”.

E, como as as ações do Montepio não estão no mercado, “não existe um referencial imediato para determinar o valor de cada ação. Assim, o valor referido representa o valor que aquela entidade financeira entende que cada ação vale neste momento. Isto é, o valor de referência é o valor contabilístico assumido pela MGAM [Associação Mutualista Montepio Geral] para a CEMG”.

"A decisão não está tomada, o processo está em curso, o valor final não está definido.”

Vieira da Silva

Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, disse no Parlamento que ainda persistem dúvidas, “se não tivéssemos já teríamos decidido”. E explicou que as dúvidas se colocam “não pelo interesse estratégico” que a operação possa ter, mas pelas condições em que pode vir a ser concretizada. O provedor disse também que a Santa Casa tomaria uma decisão sobre este investimento até ao final de janeiro, mas o mês terminou sem que houvesse novidades.

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