Galp estreia-se na produção fotovoltaica com central em Odemira

  • Lusa
  • 19 Fevereiro 2018

Projeto é considerado de relevante interesse municipal. Pedido de licenciamento aguarda parecer da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG).

A Galp Energia avançou com o pedido de licenciamento da sua primeira central fotovoltaica, em S. Teotónio, concelho de Odemira, com uma capacidade de produção de seis megawatts (MW), em regime de mercado, projeto considerado de relevante interesse municipal.

Este pedido de licenciamento aguarda parecer da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), mas, entretanto, a Câmara e a Assembleia Municipal de Odemira aprovaram, por unanimidade, a Declaração de Projeto de Relevante Interesse Municipal para a criação de uma Central Fotovoltaica no concelho.

Na página da Internet, a autarquia refere que “não significa qualquer compromisso vinculativo por parte da autarquia [com a Galp Power] e não dispensa o necessário procedimento de licenciamento”, explicando que “a Declaração de Projeto de Relevante Interesse Municipal é requisito para a obtenção de licença de produção emitida pela Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG)”.

A Galp pretende implementar o projeto na zona sul do concelho, próximo do aglomerado rural da Choça, na Freguesia de S. Teotónio, uma área que não está inserida no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina nem nos Sítios da Rede Natura 2000, lê-se na mesma nota.

Questionada pela Lusa, a Galp recusou confirmar este projeto, reafirmando apenas a intenção de investir em energias alternativas.

Há precisamente um ano, em fevereiro de 2017, o presidente executivo da petrolífera revelou a intenção da Galp Energia investir em produção de energia renovável, acompanhando a tendência de descarbonização do setor, o que remeteu para lá de 2018, ano em que a petrolífera deverá ter fluxo de capitais positivo.

Na apresentação aos analistas e investidores em Londres, Carlos Gomes da Silva, manifestou, na altura, “a ambição de acompanhar a transição para o baixo carbono”.

“Não podemos ser indiferentes àquilo que se passa à nossa volta: todas as tendências levam a uma descarbonização da energia. Chegamos [às renováveis] na altura em que a tecnologia começa a ser competitiva em base de mercado sem ter de receber qualquer tipo de subsidiação. Acho que este é que é o modelo. Nunca antes de 2018. Enquanto não tivermos ‘cash flow’ [fluxo de caixa] positivo não nos vamos expor a projetos que não fazem parte do ‘core business’ [atividade central]” da empresa, disse então o gestor.

De acordo com o semanário Expresso, a petrolífera nacional terá já um acordo para a aquisição de centrais fotovoltaicas que receberam luz verde para avançar, referindo que em causa estão alguns dos projetos de Miguel Barreto, antigo diretor-geral da DGEG.

Na terça-feira, a Galp Energia apresenta um novo plano de negócios para os próximos cinco anos, num encontro com investidores em Londres, dia em que também divulga os resultados relativos a 2017.

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