Em vez aval dos condomínios, Airbnb propõe retirar casas da plataforma após três queixas

  • ECO
  • 23 Fevereiro 2018

O Airbnb vai permitir que o Governo retire alojamentos anunciados na plataforma se estes receberem três queixas por ano dos vizinhos. Portugal poderá ser o primeiro país europeu a implementá-lo.

Em julho do ano passado, o PS apresentava uma proposta que dava aos moradores do condomínio poder de decisão na transformação de um imóvel em alojamento local. No entanto, o Airbnb vem agora afirmar que tem uma solução mais viável para o problema das queixas dos vizinhos, nomeadamente a permissão dado ao Governo português para retirar um alojamento da plataforma caso este receba três queixas anuais.

A plataforma de reserva de casa disse ao Expresso estar a acompanhar “com atenção” todo o processo de revisão da lei do alojamento local no país. Relativamente à questão da participação dos condóminos na autorização deste tipo de turismo, Chris Lehane, diretor de política global da empresa, disse ao jornal que tem uma solução melhor para resolver esse problema das queixas feitas pelos vizinhos.

Atrás dos problemas com vizinhos está o facto de estes serem negativamente afetados por haver hóspedes que não se sabem comportar, fazem barulho e festas o tempo todo“, sublinhou. Assim, para acabar com essa incómodo, o Airbnb criou uma solução: “Não queremos que os vizinhos sejam prejudicados por hóspedes que não se sabem comportar, e por isso criámos uma ferramenta que torna fácil ao Governo retirar as casas da plataforma se houver muitas queixas“.

Ou seja, se um alojamento receber três queixas por ano de vizinhos no site do Airbnb, o Governo português falará com a empresa e a casa será “imediatamente retirada da plataforma”. Esta funcionalidade já se encontra disponível em várias cidades dos Estados Unidos e Chris Lehane admite que Portugal tem capacidade para ser o primeiro país na Europa a implementá-la.

“Já trabalhamos assim em várias cidades americanas, na Europa nunca houve muito interesse nisto e Portugal poderá ser o primeiro país onde o podemos vir a fazer”, disse o responsável. “Mas, para pôr isso em prática, tipicamente precisamos do Governo a trabalhar connosco e a dizer onde há queixas. E funciona, porque as pessoas são incentivadas a comportarem-se. Não quero falar pelo Governo português, mas nós podemos fazer isso e estamos disponíveis para falar sobre o assunto, se for necessário”.

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