Bial entra na Coreia do Sul com dois medicamentos. Já vende em 60 países

António Portela, líder da Bial, não tem dúvidas que a aposta em novos produtos é para continuar, no dia em que se fica a saber que vai comercializar o Zebinix e o Ongentys na Coreia do Sul.

A Bial vai chegar à Coreia do Sul. A aposta em novos mercados tem sido uma das chaves do crescimento da farmacêutica portuguesa, garante o presidente executivo da farmacêutica Bial, que não tem dúvidas de que a aposta em novos produtos se tem revelado correta e é para manter. Em declarações ao ECO, António Portela adianta que “a entrada em mais este país é a prova de que o esforço de investimento (…) na procura de novos medicamentos estava correto e é para continuar”.

Uma afirmação que parece confirmada pelos factos. A Bial fechou o ano de 2017 com um volume de negócios de 272 milhões de euros, um crescimento de 17% face ao ano anterior, e está a reforçar a aposta na internacionalização ao entrar no mercado sul coreano. A empresa assinou já dois acordos de licenciamento para comercialização com duas empresas locais, para os seus dois produtos estrela: o Zebinix (epilepsia) e o Ongentys (doença de Parkinson). Com esta entrada na Coreia do Sul, são já 60 os países em que a Bial tem produtos já licenciados ou comercializados.

A entrada em mais este país é a prova de que o esforço de investimento que temos vindo a fazer, na procura de novos medicamentos, estava correto e é para continuar.

António Portela

Presidente executivo da Bial

“Conseguimos assim chegar a um maior número de doentes, sobretudo num continente onde nunca tínhamos entrado com produtos inovadores”, sublinhou o líder da farmacêutica, com sede no Porto.

Já este ano, em janeiro, a Bial tinha aberto as portas da Ásia, ao iniciar a comercialização do medicamento para a doença de Parkinson na China, depois de ter assinado um acordo com a chinesa Wanbang.

Agora na Coreia do Sul, o acordo para o Ongentys (opicapona) foi assinado com a empresa SK Chemicals, enquanto que o acordo para o Zebinix foi assinado com a Whanln Pharm. Caberá agora a estes dois novos parceiros comerciais dar seguimento ao processo burocrático inerente ao pedido de autorização de introdução no mercado junto das autoridades sul-coreanos.

A perspetiva, segundo António Portela, é que os medicamentos venham a “ser comercializados a partir de 2020″.

Portela não quis adiantar quais os montantes envolvidos nestes dois acordos, adiantando apenas que, “contrariamente aos anteriores já celebrados, estes são pouco significativos até pela dimensão do próprio mercado”.

Sobre a importância destes acordos, Portela prefere destacar a estratégia da Bial. Para o líder da farmacêutica, esta expansão demonstra “que a estratégia da empresa em investir na inovação, que está no ADN da Bial, é a correta”. “Inovação e internacionalização, no nosso caso, andam de mãos dadas”, adianta.

Para Portela, “todos estes desenvolvimentos que temos de novos medicamentos têm muito a ver com as apostas que temos realizado. Para nós, é claro que a nossa estratégia, de apostar em novos produtos, é a estratégia certa”.

A Bial tem centrado a sua atividade na Investigação e Desenvolvimento de novos medicamentos, nomeadamente nas neurociências investindo, em média, 20% da sua faturação anual nos últimos 20 anos. Um dado que é reconhecido no The 2017 EU Industrial RD Investment Scoreboard, onde a Bial aparece como a empresa portuguesa com maior investimento em I&D, com 38,7 milhões, ocupando a 445.ª posição no ranking das 100 empresas europeias que mais investem em I&D. Aliás, é essa estratégia que justifica que a Bial esteja a duplicar a área de investigação e desenvolvimento num investimento de 4,8 milhões de euros.

Ainda no que refere a investimentos, a farmacêutica tem também em curso uma obra de 12 milhões de euros na modernização da área industrial.

Ongentys pode chegar ao mercado americano em 2020

Mas as boas notícias não chegam apenas do continente asiático e estendem-se os Estados Unidos. O regulador americano (FDA), que tem que aprovar o Ongentys para o mercado americano, confirma que a informação clínica disponível que existe é suficiente para fazer a submissão do dossiê da Ongentys, sem necessidade de realizar novos ensaios clínicos de fase III.

António Portela mostra-se muito satisfeito com esta decisão, uma vez que isto implica “que o medicamento pode chegar bastante mais cedo ao mercado, eventualmente em 2020″. Para o gestor, a realização de novos ensaios clínicos iria atrasar o processo e fazer com que antes de 2022/2023 o Ongentys não tivesse oportunidade de chegar aos doentes americanos.

“A par da satisfação de chegar mais cedo ao mercado, temos também a satisfação de ver que o trabalho que temos desenvolvido tem sido bem feito”, diz.

A Bial estabeleceu um acordo de licenciamento com a Neurocrine em fevereiro de 2017, para o desenvolvimento e comercialização do medicamento nos Estados Unidos e Canadá. Esse acordo prevê o pagamento de dez milhões de euros pela empresa americana à Bial. A Bial já comercializa no país de Donald Trump o Zebinix, desde 2014, e tem a aprovação no tratamento de crise epiléticas parciais em adultos, adolescentes e crianças a partir dos quatro anos. De referir que o Zebinix (acetato de eslicarbazepina), para o tratamento da epilepsia, foi o primeiro medicamento de patente portuguesa e da Bial a chegar ao mercado norte-americano.

Já o Ongentys (opicapona) é o mais recente fármaco de investigação Bial, tendo sido aprovado em junho de 2016, pela Comissão Europeia e está indicado como terapêutica adjuvante da levodopa em pacientes adultos com doença de Parkinson e flutuações motoras que não estão controlados com outras terapêuticas. O Ongentys já é comercializado em países como a Alemanha, Reino Unido e Espanha.

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