Já há acordo salarial na Autoeuropa

  • Marta Santos Silva
  • 1 Março 2018

Os trabalhadores da Autoeuropa aprovaram, com 73% dos votos, o acordo salarial que a Comissão de Trabalhadores negociou com a administração. O aumento é de 3,2% com retroativos a outubro.

Os trabalhadores da Autoeuropa aprovaram esta quinta-feira, por referendo, o acordo salarial negociado com a administração da fábrica de Palmela. O aumento aprovado é de 3,2%, com um mínimo de 25 euros para os salários que não alcancem esse valor com um aumento da percentagem definida. O acordo vigorará com efeitos retroativos a partir de outubro de 2017 e até ao final de 2018, deixando assim espaço para voltar a negociar os salários de 2019.

As condições aprovadas não são apenas salariais. O acordo inclui ainda prémios entre os 100 e os 200 euros pela produtividade, atribuídos em abril, entre dois e três dias extra de descanso em 2018, e a integração nos quadros de 250 trabalhadores com contratos a termo até ao final do ano.

O presidente da Comissão de Trabalhadores, Fernando Gonçalves, esclareceu ao ECO que os votos dos trabalhadores foram em 73% para o “sim”, vendo favoravelmente o pré-acordo negociado, e 25% para o “não”, com os restantes a serem brancos ou nulos. A diferença nos recibos de vencimento virá nos pagamentos de março, acrescentou o representante.

Os valores atingidos no acordo ficam aquém do que a Comissão de Trabalhadores pretendia no seu caderno reivindicativo, onde exigia aumentos de 6,5%, com um mínimo de 50 euros. No entanto, são superiores ao que a administração contrapropôs, que era um aumento de 3% este ano (2018), embora com a promessa de mais 2% em 2019.

A Comissão de Trabalhadores não conseguiu este acordo sem dificuldades, tendo mesmo enfrentado um abaixo-assinado que pediu a sua destituição. A fábrica de Palmela tem estado a passar por um período de tumulto desde o verão do ano passado, altura em que uma Comissão de Trabalhadores foi forçada a demitir-se após ter visto chumbados dois pré-acordos com a administração relativamente à implementação de um novo horário de trabalho. O motivo era o T-Roc, o novo SUV da Volkswagen que exigirá que a fábrica produza 240 mil unidades em 2018, o que só é possível, de acordo com a administração, com mais dias de trabalho semanal.

Perante a impossibilidade de atingir um acordo com os trabalhadores, a empresa decidiu impor unilateralmente o trabalho aos sábados e um turno da noite, com uma semana de 17 turnos, em vigor até à pausa anual em agosto. Agora, o desafio da Comissão de Trabalhadores liderada por Fernando Gonçalves é negociar os horários que entrarão em vigor depois dessa pausa, com a administração a apontar para a laboração contínua, com o domingo como dia de trabalho normal.

O que contempla este acordo?

Além do aumento de 3,2% com retroativos a outubro do ano passado, dos prémios de produtividade em abril e dos dias adicionais de descanso, o acordo aprovado esta quinta-feira pelos trabalhadores contempla ainda outros benefícios. Entre eles, a integração de 250 trabalhadores com contratos a termo nos quadros até ao final do ano.

Além disto, as tabelas salariais vão ser alteradas, removendo os escalões mais baixos de entrada. Isto significa que um operário que agora entraria para a empresa no nível A0, a ganhar 660 euros de salário base bruto, passa a entrar diretamente para o escalão A, cujo salário base é de 715 euros. Também há alterações para os especialistas, que serão admitidos diretamente no segundo nível de integração.

Também vão ser implementadas condições especiais para grávidas, que passam a ter direito a condições especiais se estiverem a trabalhar em regime de turnos rotativos. “A empresa compromete-se a identificar estações de trabalho/tarefas compatíveis com o desempenho de funções da mulher grávida”, assinala o pré-acordo, podendo a mulher aceder ainda a um subsídio por gravidez que corresponde a 10% do salário base, enquanto prestar trabalho.

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