EDP não desiste da Renováveis. Quer 100% da empresa até 2020

O administrador financeiro da elétrica destaca a relevância do negócio das renováveis, dizendo que o objetivo é assumir o controlo da EDP Renováveis até 2020. No curto prazo, nada está previsto.

Passado menos de um ano do falhanço da Oferta Pública de Aquisição (OPA) da EDP Renováveis, a EDP ainda não desistiu de assumir o controlo do negócio da sua participada para o setor das energias renováveis. A empresa liderada por António Mexia, reconhece a intenção de assumir o controlo de 100% da EDP Renováveis até 2020, apesar de colocar de parte uma decisão nesse sentido de curto prazo.

A pretensão da EDP foi admitida pelo seu diretor financeiro, Nuno Alves, numa entrevista telefónica concedida à Bloomberg. Tornou-se um negócio tão importante que queremos ter a maioria, se não mesmo 100%, dessas empresas”, afirmou Nuno Alves, salientando a relevância de dar cartas nessa área de negócio no atual contexto. “Essa é a área de crescimento. Hoje em dia, é um negócio tão importante no universo das utilities que as empresas querem-no todo”, disse a esse propósito o administrador financeiro da EDP.

"Essa é a área de crescimento. Hoje em dia, é um negócio tão importante no universo das utilities que as empresas querem-no todo.”

Nuno Alves

EDP

Estas declarações surgem dez anos depois de a EDP ter colocado 22,5% da EDP Renováveis em bolsa e menos de um ano depois de ter falhado uma OPA sobre a empresa liderada por Manso Neto. Em agosto, a elétrica apenas conseguiu comprar 5% dos cerca de 22,5% de capital que ainda não detinha da EDP Renováveis, passando a deter 82,56% do capital. Valor, contudo, insuficiente para permitir uma aquisição potestativa das ações que ainda não detinha e, em resultado disso, viu-se impossibilitada do objetivo de retirar a EDP Renováveis de bolsa.

Nuno Alves identifica na área um forte potencial de crescimento para o setor “É o crescimento, o crescimento nas empresas do setor das utilities “, frisou o responsável da EDP. “São as renováveis, a distribuição de ativos e a sua oferta. Todas as empresas estão a falar da mesma coisa”, acrescentou.

Enquanto há dez anos, quando a EDP alienou uma posição de 22,5% na Renováveis, aquele segmento representava 4% dos resultados operacionais da EDP, no ano passado contribuiu com 40%. De acordo com Nuno Alves, essa percentagem deverá continuar a crescer até aos 50%, ou para além desse valor.

Apesar de o objetivo da EDP de assumir o controlo total da EDP Renováveis, a empresa liderada por António Mexia não está a planear outra ação nesse sentido no curto prazo, admitiu contudo Nuno Alves.

As pretensões da EDP de recuperar o controlo da área das renováveis acontece num período de mudanças no setor. A mais recente é o negócio entre a E.On e a RWE. A E.On vai comprar a Innogy, empresa de energia renovável da RWE, numa operação avaliada em 22 mil milhões de euros. O objetivo é que a E.On fique com as unidades de retalho e de transporte de energia das duas empresas, enquanto a RWE fica com o negócio de renováveis assim como parte da E.On.

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