Demitiu-se Feliciano Barreiras Duarte

Secretário-geral do PSD apresentou a demissão a Rui Rio. Feliciano Barreiras Duarte sai após as polémicas sobre o seu currículo académico e sobre a morada que deu no Parlamento.

Manuel Castro Almeida, Luís Marques Mendes e Feliciano Barreiras Duarte no 37.º Congresso do PSD.Paula Nunes/ECO

Era uma demissão esperada depois de duas polémicas a envolver o nome do novo secretário-geral do PSD, eleito há apenas um mês.

A primeira polémica surgiu na semana passada, quando o Sol avançou que Feliciano Barreiras Duarte incluiu durante anos no seu currículo o estatuto de visiting scholar na Universidade de Berkeley, apesar de o seu nome não constar nos registos da universidade. O social-democrata nem chegou a ter frequentado a Universidade, de acordo com o semanário.

A segunda polémica surgiu já este fim de semana. Desta vez, estava em causa um eventual recebimento indevido de subsídio por parte do Parlamento. O secretário-geral do PSD terá dado ao longo de dez anos a morada da casa dos pais no Bombarral para cálculo do subsídio de transporte e ajudas de custo na Assembleia da República, quando tinha casa em Lisboa.

O Observador, que avançou com a notícia, contactou os serviços da Assembleia da República que confirmaram que nas VII, IX, e X legislaturas (entre 1999 e 2009), o deputado do PSD “declarou, para efeitos de cálculo de ajudas de custos e despesas de deslocação”, que era “residente no Bombarral“. De acordo com o jornal online, durante pelo menos nove desses dez anos, Feliciano Barreiras Duarte terá morado na Avenida de Roma, em Lisboa.

Na sequência da primeira polémica, Manuel Castro Almeida, em entrevista à rádio Antena 1, já tinha dado a entender que o secretário-geral do PSD não teria condições políticas para continuar: “Eu assumo que as coisas não estão a correr bem, estamos num período de adaptação e este arranque é um período de adaptação que tem tido alguns incidentes dispensáveis, alguns são naturais de um período de arranque, de adaptação, e outros eram dispensáveis”.

Mas Castro Almeida foi mais longe. Sobre Feliciano Barreiras Duarte, o vice-presidente do PSD disse ter a certeza “que o meu companheiro Feliciano Barreiras Duarte estará a avaliar se tem ou não tem condições de poder exercer uma função tão importante e tão exigente como é a de secretário-geral do partido”.

Feliciano fala em ataques à direção do partido

A demissão confirmou-se este domingo. “Espero que a minha demissão faça cessar os ataques à direção do PSD e permita que o Dr. Rui Rio, a quem agradeço a confiança e a amizade, bem como a sua equipa, consigam atingir os objetivos que justamente perseguem, pois isso é o que é o melhor para o País e deve constituir a única preocupação de todos e de qualquer de nós”, escreveu Feliciano Barreiras Duarte num comunicado divulgado este domingo, ao final da tarde, citado pela agência Lusa.

Na sequência da polémica sobre o currículo académico, a Procuradoria-Geral da República remeteu para inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa os elementos que recolheu sobre o caso. Em declarações ao Expresso, Feliciano Barreiras Duarte tinha garantido estar “totalmente disponível para colaborar com o DIAP”. “[Posso] explicar todo o meu trajeto académico e apresentar todo o trabalho de investigação que fiz ao longo destes anos”, indicou.

O caso também já tinha merecido a atenção de Belém. Este sábado, sem querer comentar diretamente a polémica, Marcelo Rebelo de Sousa deixou um recado ao líder do PSD. Questionado sobre a polémica em torno do secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte, o Presidente da República começou por dizer que não se iria pronunciar sobre a vida partidária, recusando dizer se a nova direção do partido presidido por Rui Rio está fragilizada.

Mas deixou um recado: “Aquilo que eu disse sempre e que volto a dizer é que é muito importante que haja partidos fortes e é muito importante agora que estamos praticamente a um ano e um mês das primeiras eleições que, quer os partidos da área do Governo quer os da oposição estejam fortes”, sublinhou Marcelo.

Uma demissão “irrevogável”

No comunicado onde explica as razões para a saída, Barreiras Duarte diz que conversou com Rui Rio “e manifestei-lhe a minha vontade de deixar o cargo de secretário-geral do PSD, tendo em conta os ataques de que estava a ser alvo e os efeitos desses ataques no seio da minha família; o Dr. Rui Rio manifestou-me o seu apoio e solidariedade, tendo compreendido e aceite todos os meus argumentos”.

“Considero que, neste momento, e face à violência inusitada dos ataques e aos efeitos para mim e a minha família, atingimos o limite: por isso apresentei ao presidente do meu Partido o pedido irrevogável de demissão — tão irrevogável que já está concretizada — de secretário-geral do PSD”, disse no mesmo comunicado, citado pela agência Lusa.

O deputado acrescenta que deixa o cargo de “consciência tranquila”, reafirmando os argumentos com que se tinha defendido das notícias sobre o seu currículo e, depois, do facto de ter apresentado no parlamento a sua morada fiscal e não de residência.

Nunca ganhei nada, nem com uma, nem com outra situação; não tirei qualquer proveito da Universidade de Berkeley — nem financeiro, nem de grau académico, nem profissional, nem político; não procurei qualquer benefício material ou outro, antes pelo contrário, com a questão da morada no Parlamento”, conclui.

(Notícia atualizada pela última vez às 20h02)

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Demitiu-se Feliciano Barreiras Duarte

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião