Puigdemont: “Se pudesse voltar atrás não teria suspendido independência da Catalunha”

  • Lusa
  • 18 Março 2018

Carles Puigdemont diz-se enganado pelo Governo de Espanha e afirma que se pudesse voltar atrás não teria suspendido a declaração de independência da Catalunha.

O ex-presidente da Generalitat da Catalunha (Governo regional) Carles Puigdemont disse este domingo que se pudesse voltar atrás não teria suspendido a declaração de independência como fez a 10 de outubro, dizendo-se enganado pelo Governo central espanhol.

“Há uma coisa que faria diferente. A 10 de outubro tínhamos previsto proclamar a independência, mas decidi suspender os seus efeitos para deixar aberta uma porta ao diálogo com o Governo espanhol. Foi o que me sugeriu Madrid”, disse Puigdemont em entrevista ao diário suíço ‘Tribuna de Genebra’, citado pela EFE, a propósito da sua passagem pela cidade para participar numa série de atos públicos.

Puigdemont afirmou que “fontes diretas do Governo espanhol, mediadores e outros” lhe pediram para que atuasse assim, pelo que decidiu “dar uma oportunidade ao diálogo”.

“Lamentavelmente, era uma armadilha, já que não houve nenhuma reação positiva por parte do Governo. Se pudesse voltar atrás não suspenderia a proclamação de independência”, disse.

Puigdemont e os ex-conselheiros que procuraram asilo na Bélgica em outubro de 2017 estão acusados em Espanha por crimes como rebelião, sedição, prevaricação e desobediência.

O ex-presidente do Governo regional catalão disse ser favorável a qualquer proposta de diálogo que procurasse criar um espaço de discussão, porque o conflito “só se pode resolver desta forma e não com penas de 25 ou 30 anos de prisão”.

Noutra entrevista, concedida ao diário suíço ‘Le Temps’, Puigdemont reitera que “continua a ser o presidente da Catalunha” e confirma que se vai reunir durante a sua passagem por Genebra com a ex-deputada da Candidatura de Unidade Popular (CUP) Anna Gabriel, que fugiu recentemente da Justiça espanhola para a cidade suíça.

O Ministério Público espanhol pediu na quinta-feira ao Ministério da Administração Interna para consultar a Suíça sobre a possibilidade de deter e extraditar Carles Puigdemont.

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