Super prémio da Fidelidade bloqueia ações da Luz Saúde

Luz Saúde não ata nem desata na bolsa. Negociação de ações do grupo de saúde esteve suspensa esta manhã. E tudo por causa do super prémio que a Fidelidade oferece para tirar a empresa de bolsa.

O super prémio da Fidelidade está a bloquear a negociação de ações da Luz Saúde. Esta manhã, não foi realizado qualquer negócio envolvendo títulos do grupo de saúde na bolsa de Lisboa, isto depois de desencadeado o travão automático que suspende a atividade bolsista em momentos de maior volatilidade, apurou o ECO junto de fonte oficial da Euronext. A situação “em coma induzido” da Luz Saúde pode durar vários dias.

Para retirar a Luz Saúde de bolsa, a Fidelidade está a acenar aos investidores com uma contrapartida de 5,71 euros para comprar cada uma das ações que ainda não detém do grupo proprietário de vários hospitais portugueses, incluindo o Hospital da Luz. Esta proposta representa um prémio de 90% face à cotação de fecho da última sessão e parou a negociação da empresa esta manhã.

A bolsa tem um mecanismo de segurança que dispara automaticamente e congela todas as transações quando um título varia mais de 2% entre negócios ou mais de 10% desde o início da sessão. Foi isto que se passou esta manhã com a Luz Saúde. Foram dadas ordens de compra sobre as ações da empresa com um preço demasiado alto face ao fecho de ontem — o último preço de referência –, o que fez desencadear, de forma automática, este travão de proteção dos investidores.

A suspensão pode manter-se durante várias sessões. Ao contrário de muitas outras ações, a Luz Saúde não negoceia no mercado contínuo. O seu reduzido free float faz com que o grupo negoceie “por chamada”, o que só acontece duas vezes por dia. Os investidores tiveram uma primeira oportunidade para fazer negócio às 10h30. A segunda surgiu às 15h30, mas também não houve negócio.

Ou seja, embora o mercado esteja sempre a ser criar um valor de referência, mesmo que não havendo negócios, o facto de a negociação da Luz Saúde ser feita ocasionalmente pode arrastar esta suspensão bolsista durante várias sessões.

Seja como for, para os pequenos acionistas da Luz Saúde, esta situação não é assim tão problemática. Eles sabem que vão ter sempre um comprador final a oferecer 5,71 euros por cada ação que fechou ontem a valer 3,00 euros.

Por outro lado, não há no mercado muitas ações da empresa liderada por Isabel Vaz, cotada que se estreou no mercado de capitais português em 2014, mas foi depois alvo de uma OPA por parte da Fidelidade. A Fidelidade é detida, em 84,99% pela Fosun Internacional, acionistas estes que detêm 98,788% do capital da Luz Saúde. Ou seja, está disperso pouco mais de 1% do capital no mercado de capitais.

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