Banco de Portugal mantém previsões, mas admite bom momento

A instituição liderada por Carlos Costa mantém as previsões de crescimento para 2018 a 2020, mas deixa a porta aberta a surpresas positivas no curto prazo.

O Banco de Portugal não mexeu nas previsões de crescimento do PIB para os anos de 2018 a 2020, mas admite que no curto prazo possam existir surpresas positivas. Uma boa notícia para o Ministério das Finanças que está a fazer novas projeções para os próximos anos.

A instituição liderada por Carlos Costa manteve a previsão de taxa de crescimento do PIB em 2,3% este ano, 1,9% em 2019 e 1,5% em 2020. O Boletim Económico de dezembro apontava para os mesmos valores.

Apesar disso, o tom do relatório é otimista. O banco acredita que a economia está a atravessar um bom momento e, por isso, deixa a porta aberta para que no imediato a economia possa crescer até mais do que o projetado. Existem “riscos em alta no curto prazo” devido à “possibilidade de um impulso cíclico mais forte do que o antecipado”, admite o banco na documentação que acompanha as novas projeções macroeconómicas.

A frase — que revela o reforço do otimismo do Banco de Portugal — pode ser vista como uma espécie de carta de conforto ao Governo. O Ministério das Finanças está a fazer o Programa de Estabilidade para enviar para Bruxelas em abril onde atualizará novas previsões para a taxa de crescimento do PIB. Além disso, o número atual do banco para 2018 já é melhor do que o do Executivo que aponta para 2,2%.

O otimismo do banco apoia-se num conjunto de fatores: a continuação do sentimento favorável, o facto de a expansão económica já ter surpreendido pela positiva e a capacidade revelada pelo setor exportador para continuar a ganhar quotas de mercado.

O que explica este crescimento?

No exercício do banco — que teve em conta dados económicos recolhidos até 16 de março — está previsto que este ano será das exportações que virá o maior contributo para o crescimento económico. Mas as boas notícias vêm também das restantes componentes do PIB.

Dos 2,3% previstos, 1,2 pontos percentuais resultam das vendas para o exterior e 1,1 pontos percentuais vêm da procura interna. “O crescimento da atividade deverá ser sustentado pelo forte dinamismo das exportações de bens e serviços e da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e pelo aumento do consumo privado, num enquadramento económico e financeiro favorável”, diz o Banco de Portugal.

Os cálculos do banco indicam que, depois de um crescimento de 7,9% nas exportações de bens e serviços em 2017, estas deverão crescer 7,2% este ano, 4,8% em 2019 e 4,2% em 2020. Ainda estão previstos novos ganhos de quota de mercado durante estes anos, mas de forma mais “moderada”. Ainda assim, em 2020, as exportações deverão situar-se a um nível 70% superior ao verificado antes da crise financeira mundial em 2008, com as exportações de turismo a “mais do que duplicarem” face àquele ano.

No entanto, os ritmos de crescimento verificados até agora não se vão manter nos anos seguintes, o que leva o banco a prever um abrandamento da taxa de crescimento do PIB ao longo do horizonte de projeção, refletindo a “desaceleração da procura externa e restrições do lado da oferta, associadas a constrangimentos estruturais que impedem um maior crescimento potencial”. O banco acredita que as fragilidades estruturais da economia portuguesa estão a impedi-la de crescer acima da Zona Euro, apesar dos registos positivos que tem revelado. Entre estas fragilidades estão o endividamento público e privado, a evolução demográfica, a estrutura do tecido empresarial e a ausência de investimento nos últimos anos.

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