Cabify: Taxa sim, mas é preciso “proteger o investimento em Portugal”

  • Ana Batalha Oliveira
  • 28 Março 2018

"Vamos tentar que os clientes não sintam", garante o CEO, referindo-se à taxa que será aplicada aos veículos da Cabify e restantes concorrentes. O alerta recai antes sobre o investimento em Portugal.

A nova lei que regula a atividade de empresas como a Cabify, Uber e Taxify traz várias novidades a estas empresas. Entre elas, está previsto o pagamento de uma contribuição entre 0,1% e 2% das receitas obtidas por viagem. Quanto a este assunto, o CEO da Cabify assinala a capacidade do negócio para suportar a taxa máxima, mas ressalva: é importante “proteger o investimento em Portugal”.

Não falamos de custos muito avultados para a operação“, independentemente do valor que a taxa venha a adquirir, garante o CEO, Nuno Santos, num encontro com os jornalistas no lançamento de um novo método de pagamento dos seus serviços: o cartão de débito. Por isso mesmo, “vamos tentar que os clientes não sintam” esta diferença nos preços, acrescenta.

A empresa lembra que sempre pagou os devidos impostos desde se instalou em Lisboa, tal como as concorrentes. E é à luz deste cumprimento rigoroso das responsabilidades que diz que “é importante que a contribuição seja desenhada de forma a proteger o investimento em Portugal”, e não a desmotivá-lo.

A preocupação não será portanto o valor da taxa, mas sim “o objetivo dessa contribuição e a utilização que vai ser dada a esses fundos”. Neste âmbito, o CEO remete para os especialistas, mas deixa uma sugestão: “faz sentido a integração com os serviços públicos de transporte”, diz. “Já temos tido vários contactos nesse sentido”, avança.

No que toca às restantes implicações da lei, há um ponto em que diverge da maioria dos operadores. “Faz todo o sentido que se pudessem utilizar as faixas bus porque estamos a falar de soluções que melhoram a mobilidade urbana e tiram carros das estradas“, defende, apesar de compreender que para já a cidade possa não estar preparada para o volume de veículos que esta opção acarretaria. Mas na generalidade, mostra-se a favor da nova lei: “a concorrência será feita de forma mais aberta e sociedade tirará os seus frutos”, comenta.

O Parlamento aprovou na semana passada a lei que vai regular a atividade das plataformas eletrónicas de transporte de passageiros em viaturas ligeiras descaracterizadas. Para além da contribuição, a lei vai exigir um dístico no carro para identificação, curso para motoristas e limite de horas ao volante, entre outras alterações.

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