Imparidades do Novo Banco superam os dois mil milhões. Fundo de Resolução injeta 792 milhões

Foram imparidades no valor de 2.057 milhões de euros que levaram o Novo Banco a registar prejuízos históricos em 2017. O Fundo de Resolução injetou 792 milhões para manter robustez do banco.

Foram imparidades no valor de 2.057 milhões de euros que levaram o Novo Banco a registar prejuízos históricos em 2017. Por causa da dimensão das perdas, o Mecanismo de Capital Contingente foi ativado no final do ano passado, conduzindo ao registo de uma compensação de 791,7 milhões de euros. Este foi o montante que o Fundo de Resolução, que conta com a ajuda de um empréstimo do Estado, teve de injetar na instituição para manter a robustez financeira do banco. O rácio de capital está em 12,8%.

No âmbito da venda do Novo Banco ao Lone Star, foi criado um mecanismo de capitalização contingente, uma espécie de proteção sobre um conjunto de ativos e cuja gestão ficou a cargo do Fundo de Resolução — que tem receitas próprias através do financiamento dos bancos do sistema.

Neste contexto, ficou decidido que o Novo Banco pode ser compensado pelo Fundo de Resolução até ao limite máximo de 3,9 mil milhões de euros, por perdas que venham a ser reconhecidas com alguns dos ativos problemáticos e que coloquem em risco a força financeira da instituição.

Segundo a instituição liderada por António Ramalho, depois de registar prejuízos de 1.395,4 milhões de euros em 2017, “o mecanismo acima referido foi ativado conduzindo ao registo de uma compensação de 791,7 milhões, por forma a que o banco se mantenha uma instituição financeiramente sólida e bem capitalizada, com rácios de capital e níveis de rentabilidade potenciadores da sua atividade”.

O banco adianta que “o capital que está a ser gerido corresponde a um perímetro de ativos previamente definido, com um valor líquido contabilístico inicial (junho de 2016) de cerca de 7,9 mil milhões”. Mas, em 31 de dezembro de 2017, estes ativos apresentavam “um valor líquido de 5,4 mil milhões de euros”.

Explicando os prejuízos históricos no ano passado, o Novo Banco referiu que eles decorreram, “fundamentalmente, do reconhecimento de montantes elevados de imparidades, de acordo com as exigências das autoridades europeias, por forma a que as instituições bancárias tenham condições recuperar a rentabilidade de uma forma mais rápida e consistente”.

Das imparidades de cerca de dois mil milhões, 1,2 mil milhões de euros foram imparidades constituídas para crédito, 398 milhões para operações em descontinuação e 134,3 milhões de provisões para a reestruturação.

(Notícia atualizada às 18h16)

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