Fibroglobal vendida por 200 mil a aliado da Altice. Negócio vale milhões

  • ECO
  • 30 Março 2018

A Fibroglobal lucrou 1,2 milhões de euros em 2016, ano em que a Visabeira vendeu a empresa a um empresário português - que tem a Altice como sócia num outro negócio - por 200 mil euros.

A Fibroglobal, que está no centro da última polémica entre as operadoras Nos e Altice, foi vendida pela Visabeira por 200 mil euros à sociedade luxemburguesa JMA, do empresário português José Manuel Monteiro e que tem ligações ao grupo francês.

Segundo o Expresso (acesso pago), a empresa foi vendida no verão de 2016, ano em que registou um lucro de 1,2 milhões de euros. Por que razão a Visabeira vendeu por um preço claramente abaixo dos lucros que vinha registando — em 2014, por exemplo, lucrou 1,1 milhões — e quando poucos anos antes havia assinado um acordo com o Estado para um investimento de 46,8 milhões?

A Visabeira não confirma o preço “por uma questão de cortesia com o comprador”. Fonte oficial explicou ao semanário o racional da venda: “Após termos sido um dos construtores das redes rurais de nova geração com a Fibroglobal, optámos por vender essa operação porque acreditamos que era chegado o momento de concentrar a Visabeira noutras atividades. Acresce que este momento coincidiu com a entrada da Altice na Meo, não havendo ainda à época a relação de confiança que se veio a estabelecer”.

Em relação aos factos, a JMO adquiriu 95% da Fibroglobal no dia 8 de julho de 2016. O Expresso conta que se trata de empresa sem funcionários com sede no Luxemburgo, criada quatro meses antes de o negócio se concretizar. É controlada pelo empresário José Manuel Monteiro, um empresário que vive no Luxemburgo e que é sócio de uma outra empresa onde a Altice também é acionista.

Por que é que isto é importante? A Fibroglobal tem estado no epicentro da última polémica que estalou entre Nos e Altice — mais uma de várias, incluindo a compra da Media Capital pelo grupo francês.

Na semana passada, Miguel Almeida acusou a Fibroglobal se “fraude” por ter sido “paga com dinheiros públicos” e estar a “ser usada de forma privada. Mais: esta empresa — que construiu a rede rural de fibra ótica nos Açores e na zona centro do país, onde ainda há ligações por restabelecer após os incêndios do ano passado — causa graves problemas de concorrência porque permite à Altice praticar preços grossistas e impedir que outros operadores rentabilizem eventuais investimentos naquelas zonas, acusou o CEO da Nos, que apontou o dedo também aos reguladores e aos governos, que têm pactuado com “silêncio e inação”.

Em resposta, a Altice recusou-se a comentar o “ataque grave e gratuito feito ao Governo português e ao próprio regulador”.

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