ACT retém tripulantes da Ryanair que substituíram grevistas

A Ryanair está a recorrer a tripulantes de outras bases para substituir os trabalhadores em greve. Deu ordens a uma tripulação para não abandonar o avião e, dessa forma, não ser interpelada pela ACT.

Os inspetores da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) em ação no aeroporto do Porto para assegurar os direitos dos tripulantes de cabine da Ryanair que estão em greve retiveram 12 tripulantes chamados pela companhia aérea para substituir os grevistas. A denúncia foi feita ao ECO pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), que indica ainda que, em Lisboa, a Ryanair deu ordem a uma tripulação para que não saísse do avião, evitando, desta forma, que fosse interpelada pela ACT.

Os tripulantes cumprem, esta quarta-feira, o último dos três dias da greve convocada pelo SNPVAC, para obrigar a lowcost a aplicar a legislação nacional aos trabalhadores baseados em Portugal. A greve levou ao cancelamento de vários voos, mas a companhia aérea irlandesa evitou alguns cancelamentos recorrendo a tripulantes baseados em outras bases para substituir os trabalhadores em greve.

Nos casos detetados pela ACT, os tripulantes que substituíram os grevistas foram retidos. “Estão 12 tripulantes na sala da Ryanair no aeroporto do Porto, retidos pela ACT, porque fizeram os voos em substituição dos trabalhadores em greve”, explica César Alves, dirigente do SNPVAC, ao ECO.

O sindicalista refere ainda que, em Lisboa, uma tripulação teve “ordem expressa” da Ryanair para não abandonar o avião quando este aterrou no Aeroporto Humberto Delgado, “para não serem interpelados pela ACT”.

15 voos cancelados em Lisboa, Faro e Porto

Segundo os dados do sindicato, foram cancelados 15 voos dos 38 que estavam planeados partir de Lisboa, Faro e Porto. Ao mesmo tempo, dos voos que foram realizados, vários foram feitos com recurso a tripulantes que a Ryanair foi buscar a outras bases. Foi o caso de três voos que partiram de Faro e outros cinco que partiram do Porto.

A Ryanair apresenta números diferentes. Em comunicado enviado esta tarde às redações, a companhia aérea refere que “a grande maioria” dos tripulantes esteve a trabalhar “dentro da normalidade” e contabiliza apenas oito voos cancelados, “de entre os primeiros voos do dia”. A empresa está, contudo, a contabilizar todos os 170 voos agendados de e para Portugal, e não apenas os que partiriam de Lisboa, Porto e Faro, onde se concentra a greve.

Os clientes afetados “já estão a ser recolocados em outros voos ao longo do dia de hoje ou voos extra que operaremos amanhã”, indica ainda a empresa, sem especificar quantos são os passageiros em causa.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

ACT retém tripulantes da Ryanair que substituíram grevistas

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião