Criação de um regime de REITs só traria “vantagens”

Os especialistas do setor alertam para a importância destes veículos de investimento, acrescentando que o país tem estado a perder capital por não adotar os REITs.

Os REITs foram um dos muitos temas debatidos na conferência organizada pelo ECO sobre o mercado imobiliário nacional. Estes veículos especializados no investimento imobiliário ainda não foram adotados em Portugal, ao contrário de outros países, incluindo Espanha. Para os oradores presentes na conferência, a não adoção deste sistema representa investimentos perdidos para o país.

Mais competitividade significa trazer os chamados REITs — Real Estate Investment Trusts“, começou por referir Hugo Santos Ferreira, vice-presidente da APPII (Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários). A atravessar uma fase claramente “hot, cool e trendy“, como disse Helena Amaral Neto, professora do ISEG, a criação deste veículo de investimento só traria vantagens para Portugal.

Os REITs são empresas que se dedicam exclusivamente a ativos imobiliários, acabando por funcionar como sociedades de investimento cotadas em bolsa. Atualmente existem em vários países, inclusive Espanha — as SOCIMI –, e por cá são uma medida reclamada há muito tempo pela indústria imobiliária e financeira. Entre as principais vantagens deste veículo de investimento constam a transparência, a simplificação e a segurança, para além de uma visão a longo prazo. O setor estima que a criação de REITs em Portugal atraia um investimento entre os dez e os 15 milhões de euros.

“O facto de, em Espanha, ter sido criado esse regime faz com que o país tenha um comportamento idêntico a todos os outros mercados”, disse Manuel Puerta da Costa, da BPI Gestão de Ativos, explicando que o facto de o país vizinho estar um passo à nossa frente, isso representa investimento perdido para os portugueses, “porque há capital estrangeiro que só investe em regimes legais como os REITs“.

O gestor sublinhou ainda o facto de os potenciais investidores internacionais verem os fundos de investimento tradicionais como instrumentos menos aliciantes para aplicarem o seu capital no mercado imobiliário, acabando por preferir investir em outros países que apresentem alternativas.

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