Alemanha revê em baixa perspetiva de crescimento para 2018

Governo revê crescimento em baixa em 0,1 pontos percentuais para este ano e agora iguala as previsões da Comissão Europeia (2,3%). Perspetivas de guerra comercial deixam Alemanha mais cautelosa.

O Governo alemão reviu em baixa esta quarta-feira a sua previsão de crescimento económico para 2018, de 2,4% para 2,3%, embora mantenha que a perspetiva continua a ser positiva e que o crescimento do próximo ano será quase tão forte. As previsões passam assim a igualar as da Comissão Europeia que prevê que a economia alemã cresça 2,3% este ano e permaneça acima dos 2% em 2019.

Em janeiro, o Governo tinha previsto um crescimento de 2,4% em 2018. Para 2019, os responsáveis alemães apontam para uma expansão de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Estes valores estão em linha com o crescimento de 2,2% do ano passado, o mais forte dos últimos seis anos.

O ministro da Economia, Peter Altmaier, afirmou que a economia alemã, a maior da Europa está “robusta” e que a nova previsão está “num caminho muito realista”. No entanto, exprimiu preocupações com os últimos desenvolvimentos no comércio internacional, salientando que a Alemanha é um grande país exportador.

A União Europeia está a tentar manter as isenções relativamente às novas tarifas que o Presidente norte-americano Donald Trump quer impor sobre as importações de aço e alumínio. Segundo Altmaier, as exportações alemãs de aço e alumínio para os Estados Unidos não são um fator relevante por si só, as suas preocupações são mais genéricas: “Esta disputa comercial pode escalar e o melhor é evitá-la”, sublinhou dias antes de a chanceler alemã, Angela Merkel, se deslocar a Washington onde se vai encontrar-se com Donald Trump.

Continuo convencido que seria incauto cair num conflito comercial, portanto, penso que uma solução consensual deve é preferível a uma de confronto.

Peter Altmaier

Ministro alemão das Finanças

Além das questões comerciais, os números relativos às encomendas à indústria e vendas nos primeiros dois meses do ano foram desanimadores. No entanto, os economistas consideram que falar de abrandamento é prematuro.

O ministro alemão, em conferência de imprensa, tentou dar notas animadoras relativamente à economia alemão apesar da revisão em baixa da evolução do PIB. “A Alemanha está bem economicamente, na verdade, estamos mesmo muito bem”, disse Altmaier, citado pela Reuters. “Vemos que as listas de encomendas das indústrias alemãs estão bem preenchidas”.

O responsável sublinhou ainda que, em 2019, haverá mais criação de emprego do que em 2017, enquanto a taxa de desemprego deverá registar um mínimo histórico. Esse aumento na criação de novos postos de trabalho combinado com um aumento dos rendimentos significa um aumento do consumo, antecipa o ministro alemão, que tem ainda a expectativa de que o investimento das empresas se mantenha dinâmico.

Mas além da potencial escalada da guerra comercial, a Alemanha está também preocupada com a saída do Reino Unido da União Europeia. “Não sabemos se o cenário será de um hard Brexit. Estamos todos interessados em o evitar e a Comissão está a negociar com o Reino Unido com esse espírito. Mesmo que estas negociações não conduzam ao resultado desejado, não é expectável um impacto no crescimento económico deste ano. Por isso estamos confortáveis com estas previsões para este ano”, disse depois de questionado se as suas previsões incluíam o cenário de um hard Brexit.

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