Like & Dislike: O que Bruno de Carvalho poderia aprender com o primo Vítor Gaspar

Bruno de Carvalho é primo do antigo ministro das Finanças. Um é benfiquista e o outro sportinguista. Um tirou o país da bancarrota e o outro pode levar o Sporting à falência.

Para quem não sabe de onde vem Bruno de Carvalho, é bom começar por uma consulta à Wikipédia. Lá lê-se que Bruno de Carvalho é sobrinho-neto do ex-primeiro-ministro Almirante Pinheiro de Azevedo, que entrou para a história com o título de ‘Almirante sem Medo‘. Daí o epíteto de ‘Presidente sem Medo‘ que Bruno de Carvalho gosta de usar. Além de não ter medo, o presidente do Sporting não tem muitas outras coisas. Mas vamos por partes.

Na árvore genealógica de Bruno de Carvalho, aparece ainda um outro ilustre na família, um primo em terceiro grau de seu nome Vítor Gaspar. O que têm em comum um e outro, além do laço sanguíneo? Nada, a começar pelas preferências clubísticas: um é benfiquista e gosta de ver os jogos no terceiro anel do Estádio da Luz. O outro é sportinguista e gosta de se sentar no banco com os jogadores.

Mas, o que pode aprender Bruno de Carvalho com o seu primo Vítor Gaspar?

1) Mau perder

Toda a crise no Sporting começa porque o presidente não gostou de ver o Sporting perder contra o Atlético de Madrid na Liga Europa e agora com o Marítimo para o campeonato. Teve uma reação desproporcionada, despropositada e desleal para com os jogadores e o treinador. É o que se chama de mau perder.

Em maio de 2013, o Benfica esteve próximo de conquistar três títulos mas, numa questão de semanas, acabou por perder todos: Campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal. Na altura, o ministro das Finanças apareceu num evento público e fez a seguinte afirmação: “Quero pedir a vossa simpatia pelas difíceis semanas que tenho vivido como adepto do Benfica. (…) Perder sucessivamente por 2-1 (…) merece toda a simpatia”.

2) “Não vamos pedir mais tempo ou mais dinheiro”

É uma das frases de Vítor Gaspar que ficou para a história do país, numa altura em que Portugal tentava uma saída limpa do resgate da troika: “Não vamos pedir mais tempo ou mais dinheiro”.

É uma frase que o primo, Bruno de Carvalho, não pode repetir. A crise no Sporting já levou a SAD a pedir aos credores “mais tempo” para pagar uma dívida que vencia este mês; e a sociedade já veio dizer que além dos 30 milhões que precisa de emitir para reembolsar a dívida antiga, necessita ainda de mais 15 milhões para gastos de tesouraria, ou seja, “mais dinheiro”.

As perguntas que nesta altura importam fazer são as seguintes: Se o Sporting adiou a venda de dívida por causa da crise depois do jogo com o Atlético, o que fará agora que está perante um cenário em que vários jogadores podem rescindir por justa causa depois dos lamentáveis incidentes na Academia de Alcochete? Quem vai emprestar dinheiro ao Sporting? Os bancos vão perdoar novamente a dívida aos Leões?

3) Porque falava Gaspar tão devagarinho?

No livro “Vítor Gaspar”, escrito por Maria João Avillez, na página 62, a jornalista pergunta ao ex-ministro das Finanças: “E porque fala tão devagar?”

Ao que Vítor Gaspar responde: “Primeiro, penso no que digo”. É o que tem faltado ao dirigente leonino que deve ter pensado pouco antes de dizer frases como esta: “Meninos amuados e crianças mimadas”. Ou esta: “É chato”.

4) Dar o dito pelo não dito

É uma das coisas que Vítor Gaspar não fazia. Esta é outra das frases que ficou célebre: “Por favor, não coloquem essa questão mais nenhuma vez. Não poderei fazer mais do que repetir a mesma resposta, a não ser, talvez, usando um tom de voz um bocadinho diferente”.

Gaspar nunca levantou o tom de voz porque é uma pessoa educada. O primo, se lhe fizermos a mesma pergunta duas vezes, provavelmente vamos obter duas respostas diferentes e, se calhar, num tom de voz que não vamos gostar. Primeiro disse que ia suspender os jogadores, depois afinal deu o dito pelo não dito.

5) “Eu não minto, não engano e não ludibrio”

Foi a resposta que Vítor Gaspar deu a Honório Novo do PCP que o acusou de estar a enganar os portugueses. A resposta de Vítor Gaspar foi esta: “Eu não minto, não engano e não ludibrio. Não faço nenhuma dessas coisas e não farei nenhuma dessas coisas. A política de verdade é, para mim, uma convicção absoluta e é uma regra fundamental deste Governo”.

Esta crise no Sporting acontece numa altura em que a Procuradoria-Geral da República confirmou que está a investigar um alegado esquema de corrupção relacionado com a compra de árbitros no andebol, no futebol e em outras modalidades desportivas.

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