OPA à EDP. China Three Gorges esclarece. Tem apenas 23,27% dos direitos de voto

  • Lusa
  • 17 Maio 2018

China Three Gorges esclareceu, esta quinta-feira, que avança para a OPA à EDP apenas com 23,27% dos direitos de voto. Isto apesar do Estado chinês deter, no total, 28,25% dos direitos de voto.

A China Three Gorges esclareceu, esta quinta-feira, que avança para a OPA à EDP apenas com 23,27% dos direitos de voto, apesar de o Estado chinês estar também representado na elétrica por outra empresa, totalizando 28,25% dos direitos de voto.

Numa adenda ao anúncio preliminar da Oferta Pública de Aquisição (OPA) à EDP divulgada esta quinta-feira, a China Three Gorges (CTG) realça o entendimento da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de que os seus direitos de voto e os da CNIC pertencem à República Popular da China.

No entanto, apenas os direitos de voto da CTG vão ser considerados na OPA, não lhe sendo imputáveis “quaisquer outros direitos de voto”, ficando de fora os da CNIC.

A CTG detém 850.777.024 ações, representativas de 23,27% do capital e dos direitos de voto da EDP, e a CNIC detém 182.081.216 ações, que totalizam 4,98% dos direitos de voto e capital social.

Os direitos de voto da CNIC “não são, contudo, também de acordo com o entendimento da CMVM, imputáveis” à CTG ou a qualquer das suas sociedades dominantes, lê-se na adenda.

Isto quer dizer que, embora o Estado chinês detenha através das duas empresas 28,25% dos direitos de voto da elétrica portuguesa, a oferta parte apenas da CTG e que a CNIC também terá de se pronunciar sobre a oferta, tendo para isso 4,98% dos direitos de voto.

Na adenda desta quinta-feira, que mantém na generalidade as condições da OPA à EDP, a CTG limita o normal seguimento da oferta à ocorrência de “qualquer evento não imputável à oferente, que afete a disposição dos fundos comprometidos para a liquidação financeira da oferta e que não seja suscetível de ser corrigido em tempo útil”.

Na primeira versão lia-se que a decisão de lançar a OPA foi tomada no pressuposto que, até ao seu termo, não ocorresse “qualquer facto que fosse suscetível de afetar a livre disposição” dos mesmos fundos.

Esta mesma limitação é feita também na OPA obrigatória da CTG à EDP Renováveis.

A CTG anunciou na passada sexta-feira a intenção de lançar uma OPA voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, o que representa um prémio de 4,82% face ao valor de mercado e avalia a empresa em cerca de 11,9 mil milhões de euros.

A CTG, que já detém 23,27% do capital social da EDP, pretende manter a empresa com sede em Portugal e cotada na bolsa de Lisboa.

Caso a OPA sobre a EDP tenha sucesso, a CTG avançará com uma oferta pública obrigatória sobre 100% do capital social da EDP Renováveis (EDPR) a 7,33 euros por ação.

A EDP controla 82,6% do capital social da EDPR que tem a sua sede em Madrid.

O grupo chinês afirma, no anúncio preliminar da operação, que só lançará a OPA sobre a EDP se o Governo português não se opuser à operação.

O primeiro-ministro, António Costa, já disse que não tem “nenhuma reserva a opor” a que o grupo chinês realize a OPA sobre a EDP.

A EDP, por sua vez, já considerou que o preço oferecido pela CTG Europe para adquirir a elétrica portuguesa é baixo e “não reflete adequadamente o valor” da empresa.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

OPA à EDP. China Three Gorges esclarece. Tem apenas 23,27% dos direitos de voto

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião