Siza Vieira reage: China Three Gorges “nunca foi minha cliente”

  • Marta Santos Silva
  • 20 Maio 2018

Num "esclarecimento" enviado ao Expresso, o ministro Adjunto responde à notícia deste sábado de que tinha recebido a China Three Gorges antes da OPA à EDP.

O ministro Adjunto Pedro Siza Vieira reagiu, numa nota enviada e publicada pelo Expresso, à notícia do semanário que indicava que teria recebido “os seus ex-clientes” China Three Gorges já enquanto ministro, referindo que a CTG “nunca foi” sua cliente, e que “antes de ir para o Governo não tinha tido qualquer contacto com a referida empresa ou seus representantes”.

O Expresso escrevia ontem, sábado, que Pedro Siza Vieira recebera representantes da chinesa China Three Gorges no seu gabinete de ministro antes de ter pedido ao primeiro-ministro para deixar de tratar de temas relacionados com o setor elétrico enquanto a Oferta Pública de Aquisição (OPA) à EDP decorrer. O jornal referia que a China Three Gorges é cliente da Linklaters, a sociedade de advogados em que Pedro Siza Vieira trabalhava antes de se tornar ministro.

“Como é público, cessei qualquer ligação com a Linklaters a partir do momento em que amortizei a minha quota, antes de assumir funções públicas. Tenho agora com a Linklaters a mesma ligação que tenho, por exemplo, com a Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados – de que fui sócio até 2001 – ou com qualquer outra sociedade de advogados. Isto é: nenhuma!“, escreveu Pedro Siza Vieira na sua nota ao Expresso.

Na mesma nota, deixou ainda um comentário sobre a sua decisão de pedir escusa em matérias relativas ao setor elétrico no momento da OPA, algo que o PSD queria ontem ver esclarecido. “Fi-lo, porque sei por experiência que as OPAs são sempre momento de grande visibilidade mediática, em que os envolvidos fazem sempre grandes esforços de relações públicas. Antecipei, por isso, que a circunstância de o oferente ser assessorado pela minha antiga sociedade pudesse levar à tentativa de criar dúvidas sobre a imparcialidade do Governo neste processo”, afirmou.

O Expresso respondeu ao ministro numa nota editorial onde se lê que “se não houvesse uma relação comercial da sociedade em que detinha uma quota com a CTG, o ministro não teria sentido necessidade de fazer um pedido de escusa para tratar de matérias relativas ao setor elétrico”. O semanário conclui: “O próprio esclarecimento do ministro Adjunto justifica a pertinência da manchete do Expresso. Se o pedido de escusa serve para evitar quaisquer dúvidas que houvesse na relação entre a CTG e a sua antiga sociedade de advogados no âmbito da OPA, a mesma questão se coloca por ter recebido a China Three Gorges enquanto ministro sem que tivesse pedido escusa. Assim teria evitado desde o início o que pretendeu evitar depois: a possível existência de um conflito de interesses”.

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