Criptomoedas? “Há ilusão de uma nova corrida ao ouro”, diz Carlos Costa

O governador do Banco de Portugal está preocupado com o entusiasmo de informados e menos informados pelas criptomoedas. Diz que "tentação de ganhar muito e rapidamente se sobrepõe à racionalidade".

As opiniões críticas em relação às criptomoedas têm sido muitas. Carlos Costa é uma das vozes que se junta ao coro das críticas em relação a este ativo. O governador do Banco de Portugal compara a atração de investidores informados e não informados com a “ilusão de uma nova corrida ao ouro”, que exige uma ação coordenada por parte da administração pública, território e sociedade civil.

A expressão foi utilizada por Carlos Costa durante a cerimónia pública que antecedeu a Assembleia Geral Anual do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, entidade que reúne mais de 30 entidades que têm como objetivo interceder e atuar no sentido da melhoria da literacia financeira em Portugal.

 

Carlos Costa começou por alertar para o entusiasmo gerado em torno destas moedas digitais. “O entusiasmo que a chamada criptomoeda gerou entre público muito informado que teria capacidade de se defender é a demonstração que a tentação de ganhar muito e rapidamente se sobrepõe à racionalidade tanto de um público menos informado e mais informado”, disse a esse propósito.

O governador salientou que este paradigma que não só atinge Portugal como outros países, e apelando a uma atuação num âmbito diferente. “Se não houver travões fundamentados do ponto de vista do conhecimento das dinâmicas psicológicas e emocionais desta população acabamos por a entregar a prazo a estas dinâmicas de esquemas de ponzi que podem ser extremamente negativas”, alertou.

É com base nestes receios que o governador do Banco de Portugal apela para “uma ação coordenada” tanto por parte da administração pública, como territorial e da sociedade civil. “Ainda mais se confirma isso agora que estamos perante uma espécie de ilusão de uma nova corrida ao ouro“, afirmou, acrescentando que “esta ideia de se ter rendimento sem ter ativo subjacente é sempre uma ideia perigosíssima e que vai renascer com muita intensidade quando passar a memória da crise”.

Digitalização. Pressão e indução são riscos

O governador do Banco de Portugal dedicou uma atenção especial ainda aos desafios com que a entidade responsável pela implementação do Plano Nacional de Supervisão Financeira se depara perante a inevitável digitalização dos serviços financeiros.

“A oferta de produtos financeiros vai sair daquilo que era tradicional que era o balcão do banco e vai passar para o domínio do digital e para perigos que aí se colocam“, disse a esse propósito o responsável do regulador da banca, alertando que “vai haver pressão e indução muito forte que vai ser muito difícil de gerir”.

Carlos Costa alerta que este cenário tende a gerar “públicos dececionados, queixosos e não necessariamente cautelosos“, alertando que tal constitui um desafio perante os quais os reguladores poderão ter dificuldade em combater. Neste sentido, reforçou a necessidade de cooperação das diferentes entidades no sentido de lidar com este tipo de situações, de formar e fomentar decisões racionais por parte dos consumidores.

É do interesse de todos garantir que de um momento para o outro não se gere um fenómeno de ilusão sem saída e com consequências graves no que respeita à afetação a poupança”, acrescentou.

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