Justiça dos EUA investiga manipulação do preço da bitcoin. Futuros na mira das autoridades

As autoridades norte-americanas abriram uma investigação para apurar se houve ou não manipulação do preço da bitcoin. Entidade que regula os futuros da criptomoeda está envolvida no processo.

As autoridades norte-americanas abriram uma investigação criminal para apurar se houve manipulação do valor da bitcoin, a conhecida criptomoeda que multiplicou por 11 o seu valor no ano passado. A investigação está a ser levada a cabo pelo Departamento de Justiça e pela Commodity Futures Trading Comission, a entidade que regula os produtos financeiros derivados ligados à bitcoin, avançou a Bloomberg (acesso condicionado).

Reguladores e outras entidades oficiais de vários países, incluindo Portugal, têm olhado atentamente para o fenómeno das moedas virtuais. Teme-se que o elevado risco associado às criptomoedas, que são caracterizadas pela alta volatilidade, se transfira para a economia de uma forma mais global e provoque ondas de choque que venham a abalar o sistema financeiro.

Apesar de não existir legislação que regule estes novos ativos virtuais, e do facto de as transações permitirem o anonimato dos investidores, é possível que esta investigação esteja relacionada com o facto de já existirem produtos financeiros regulados associados à bitcoin. É o caso dos futuros, que foram lançados no final do ano passado, através dos quais os investidores “apostam” no valor da criptomoeda, mas em dólares. Ou seja, manipulando o preço de um ativo não regulado (como a bitcoin) está-se, de certo modo, a manipular um mercado regulado (como o dos futuros), uma vez que os preços estão diretamente ligados.

Em causa poderão estar práticas de manipulação dos mercados financeiros, tais como o spoofing. Investidores poderão ter inundado o mercado com falsas ofertas ou pedidos de compra que terão sido rapidamente cancelados, gerando uma ilusão em torno da oferta ou da procura por estas moedas, o que poderá ter mexido com o valor da bitcoin.

A propensão para a fraude em torno das criptomoedas é algo bem conhecido. Com a popularidade deste fenómeno a aumentar de dia para dia, são inúmeras as ofertas fraudulentas que surgem nas redes sociais ou em grupos privados de chat em aplicações como o Telegram. Em relação à manipulação de preços, uma prática muito comum nestes mercados, sobretudo com criptomoedas com menor liquidez, é o pump and dump: milhares de investidores juntam-se para acelerar o preço de um ativo e, de forma coordenada, vendem-no, fazendo colapsar o preço e arrecadando as mais-valias.

Após a notícia da Bloomberg, o valor da bitcoin já cai 3% para 7.409 dólares. É uma queda de 20% face ao pico deste ano, registado a 4 de maio, calcula a agência.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Justiça dos EUA investiga manipulação do preço da bitcoin. Futuros na mira das autoridades

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião