Banca espanhola afunda. Madrid cedeu quase 2% com cerco político a Rajoy

Aumentou a pressão sobre o Governo de Mariano Rajoy e a aversão ao risco entre os investidores. Os bancos foram os mais castigados na bolsa de Madrid e os juros da dívida espanhola acabaram por subir.

Perante o cerco político a Mariano Rajoy, após a moção de censura apresentada pelos socialistas contra o líder do Governo espanhol, a bolsa de Madrid mergulhou em força para terreno negativo, com o setor financeiro no centro da pressão vendedora.

O IBEX-35, o principal índice espanhol, caiu 1,75% para 9.821 pontos — mas chegou a afundar 2,15% para os 9.781,2 pontos durante a sessão. A bolsa foi castigada pelos maus desempenhos dos bancos Santander, Bankia e BBVA, que tombaram quase 3%. Foram contagiados pela aversão ao risco que penalizou seriamente a dívida espanhola, com as taxas de juros das obrigações a dez anos a avançarem para 1,47% durante a sessão.

O partido socialista espanhol (PSOE) apresentou esta sexta-feira no Congresso uma moção de censura contra o presidente do Governo, Mariano Rajoy, apenas 24 horas depois da sentença no “caso Gürtel”. Ainda antes, os Ciudadanos, partido que dá suporte ao Governo de minoria do Partido Popular de Rajoy, disse estar disponível para eleições antecipadas.

Numa conferência de imprensa citada pela TSF, Rajoy disse que não vai convocar eleições antecipadas, afirmando que é preciso dar prioridade à “estabilidade política”. A moção de censura “vai contra a estabilidade política do nosso país e contra a recuperação económica. É má para a Espanha”, referiu.

“Em Espanha, o governo de Mariano Rajoy está sob pressão. Os socialistas colocaram em cima da mesa uma moção de censura, que poderá ter o apoio dos Ciudadanos, que toleraram o executivo até agora. Se isto acontecer, o cenário de eleições antecipadas deverá acontecer mais cedo ou mais tarde“, de acordo com os analistas do Commerzbank numa nota enviada ao início da tarde.

“Dessas eleições antecipadas, o Ciudadanos deverá emergir como a força política com mais poder, de acordo com as sondagens. Mesmo que não seja claro qual poderá ser o seu parceiro no governo, uma mudança radical na política orçamental como a que está a ter lugar em Itália não é expectável”, assumiu o banco alemão.

A moção surge depois de um tribunal espanhol ter aplicado na quinta-feira penas elevadas a uma série de políticos e empresários envolvidos num esquema de corrupção, a que se chamou “caso Gürtel”, que ajudou a financiar o Partido Popular (PP), no poder. O próprio partido do primeiro-ministro foi multado em 245 mil euros por ter beneficiado do esquema ilegal que se baseava em conceder contratos públicos a empresas em troca de dinheiro.

O contexto de instabilidade política em Espanha surge num momento de regresso de alguma incerteza na Zona Euro, onde as atenções dos agentes económicos e políticos têm estado viradas para Itália.

A bolsa portuguesa, que esteve a negociar com ganhos durante a manhã, acabou por encerrar a cair 0,91%% para 5.610,46 pontos. Foi também no setor financeiro onde mais se fez sentir o pessimismo dos investidores: o BCP caiu 2,5% para os 26,93 cêntimos. Já a yield implícita nas obrigações portuguesas a dez anos sobe para 1,939%.

(Notícia atualizada às 16h57 com o fecho da sessão)

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